Resumo/Release - LADO A LADO

Um novo tempo começa no Rio de Janeiro. Início do século XX e a cidade respira as influências vindas da Europa. Época de transformações embaladas pelo charme da Belle Époque: as grandes confeitarias, os cafés e o nascimento de uma nova era de modernidade - em que as mulheres começam a lutar por liberdade individual e, os afrodescendentes, a criar o samba e, em torno dele, toda uma nova cultura.

De um lado, o luxo, o poder, a exuberância e a riqueza dos grandes casarões aristocráticos. De outro, um mundo à parte: o nascimento da primeira favela no Rio de Janeiro e a luta pela dignidade.

E, lado a lado, pessoas que se unem em torno de um mesmo sonho: liberdade.
 
De João Ximenes Braga e Claudia Lage, com direção de núcleo de Dennis Carvalho, direção geral de Vinícius Coimbra e supervisão de Gilberto Braga, ‘Lado a Lado’ é uma novela que fala de amizade, amor e liberdade. Vai contar a luta de duas jovens mulheres à frente de seu tempo por sua independência e a conquista de seus sonhos. ‘Lado a Lado’, próxima novela das seis da Rede Globo, tem estreia prevista para 10 de setembro.

Isabel e Laura, mulheres à frente de seu tempo
 
Isabel
A noite cai na Pedra do Sal, na Saúde O som dos tambores ecoa. Isabel (Camila Pitanga) se solta, roda, samba. O calor é forte, o suor escorre por seu corpo. Cabelos soltos, a saia rodada evolui pelo ar. Ela quer vida, alegria, embora nem sempre o sol tenha brilhado em seus dias. Criada em um cortiço, pobre, filha de ex-escravo, cresceu vendo o pai, seu Afonso (Milton Gonçalves) trabalhar duro para educá-la da melhor maneira.

Mas nada nem ninguém é capaz de tirar o brilho de seus olhos, a sua vontade de vencer e de conquistar a sua liberdade. A chegada da República traz pra ela e os seus um novo sopro de esperança, mais um passo para deixar para trás as marcas ainda recentes que a escravidão deixou no país. Apesar dos preconceitos e das dificuldades da vida, Isabel não se deixa abater diante dos problemas e continua lutando por seus ideais.

Desde os 14 anos, seguindo o exemplo do pai,  ela trabalha na casa de Madame Besançon (Beatriz Segall) como empregada doméstica. Foi com ela que aprendeu boas maneiras e também algumas palavras de francês. Mas é na roda de samba que Isabel espanta seus males e alimenta sua ânsia de viver. Entrega-se de corpo e alma à dança e encanta a todos com seu gingado. É o nascimento do samba, um ritmo novo e popular que começa a ganhar forma nas ruas da cidade, misturando-se às influências chiques que o Rio copia da França.

Isabel e Zé Maria
E é em um dia de samba, transbordando alegria, que Isabel esbarra pela primeira vez em  Zé Maria (Lázaro Ramos). Ele é um rapaz simples, trabalha na barbearia com Seu Afonso (Milton Gonçalves), mas guarda um segredo: também conhecido como Zé Navalha, é capoeirista, e dos mais habilidosos. Considerada uma arma com a marca da marginalidade, a capoeira é proibida por lei e, consequentemente, quem a pratica é bandido

Zé apaixona-se logo à primeira vista. Isabel, tinhosa, a princípio não lhe dá muita confiança. Mas o jeito sedutor do moço acaba acendendo uma luz em seu coração. Apesar do forte sentimento que sentem um pelo outro, a relação dos dois enfrentará muitos obstáculos.

Laura
Na casa de Laura (Marjorie Estiano), a noite também é quente. E silenciosa. Nenhum sinal de música. Mas há a mesma vontade de ser livre, os mesmos sonhos de igualdade. Os livros na estante refletem os desejos de Laura: estudar e trabalhar para ser independente e, um dia, tornar-se escritora. Desejos que não correspondem ao papel imposto para as mulheres dna época e incompreendidos pela sociedade.

Nascida em família rica, Laura teve do bom e do melhor. Mora com os pais, os ex-barões do café Assunção (Werner Schünemann), Constância (Patrícia Pillar) e o irmão Albertinho (Rafael Cardoso) em um belo casarão. Mas luxo e riqueza não são suficientes para a felicidade da moça, que não se acomoda. Ela quer muito mais do que as jovens de sua idade, cujo único destino apontado no horizonte é a realização de um bom casamento.

Recém-formada no curso Normal, encontra alegria quando está cercada de livros e dando aulas. Mas para sua mãe, que não aceita o jeito "revolucionário" da filha, essa atividade é apenas um passatempo com prazo de validade determinado: o  dia de seu casamento com Edgar (Thiago Fragoso).

Laura e Edgar
O navio demorou a chegar ao Brasil e Edgar voltou de Portugal exatamente no dia do casório. Já não havia mais tempo para conversas. Os dois namoraram na adolescência, antes de ele embarcar para Europa para estudar Direito e, naquela época ele a pediu em casamento.

Mas o tempo passou e a distância só fez aumentar as dúvidas dentro de cada um. Durante os quatro anos em que esteve fora, Edgar trabalhou com jornalismo - sua verdadeira paixão. Ele volta ao Brasil para honrar seu compromisso, porém, com um segredo que o prende às terras lusitanas.

 

O início de uma sólida amizade
É chegado o grande dia. Coincidência - ou destino – Isabel e Laura estão na mesma igreja. Isabel, iluminada pela paixão, está à espera de seu grande amor. Moça pobre, moradora de cortiço, casar-se ali é, de fato, a realização de um grande sonho. Mas se para Isabel o sentimento que nutre por Zé Maria (Lázaro Ramos) é uma grande certeza em sua vida, para Laura, viver ao lado de Edgar (Thiago Fragoso) é uma imensa dúvida. Longe do noivo por quatro anos, ela já não sabe se quer esse casamento.

Diferenças sociais seriam suficientes para os caminhos de Laura e Isabel nunca se cruzarem, mas a vida se encarrega de aproximá-las. Duas mulheres românticas com os mesmos sonhos: a conquista do amor e da liberdade.

Isabel, que antes era o símbolo da felicidade, é tomada pela tristeza quando Zé Maria, seu noivo, se atrasa para o casamento. Isabel está desolada. Laura, por sua vez, angustiada com a eminente chegada de Edgar. O momento, visto como trágico pelas duas, no entanto, dá espaço à solidariedade. Não há mais desigualdade, só sentimentos. Na sacristia, elas trocam palavras de esperança, de afeto. E nasce ali uma sólida amizade que nem mesmo a força reacionária de Constância (Patrícia Pillar)  seria capaz de destruir.

A força de Constância
Casada com Assunção (Werner Schünemann), a ex Baronesa é mãe dominadora que sufoca Laura (Marjorie Estiano) e mima Albertinho (Rafael Cardoso). Tudo o que faz, a seu ver, é para o bem de sua família, mesmo que para isso seja preciso passar por cima de uns e outros. Sempre contando com a cumplicidade e companhia de suas irmãs, Celinha (Isabela Garcia) e Carlota (Christiana Guinle).

O casamento de Laura (Marjorie Estiano) com Edgar (Thiago Fragoso), um rapaz rico, filho de Senador de República, pode significar a nova ascensão social de sua família. Para Constância, os Assunção precisam fazer parte da vida política do país e ela fará o possível para que isso aconteça.

Com tanta ambição, como aceitar os sonhos de independência de Laura? E como permitir que sua filha, uma moça rica, fina, de princípios e valores, estabeleça uma amizade com Isabel, uma negra e que não nasceu no mesmo berço de ouro de suas origens? Inaceitável.

Encontros e Desencontros
Isabel (Camila Pitanga) não perdeu somente o seu grande amor. O cortiço onde mora foi invadido e derrubado justamente no dia de seu casamento. Em seu lugar será aberta uma grande avenida. Ela e todos os moradores perderam suas casas e quase tudo o que construíram ao longo de uma vida. Mas onde estaria Zé Maria (Lázaro Ramos)? O que teria acontecido com o capoeirista?

A República e suas contradições

Aristocracia x República - ou seria Constância x Bonifácio?
Com o fim da Monarquia e a chegada da República e de um novo tempo no país, a cidade do Rio de Janeiro enfrenta um momento de grandes transformações. Que o diga Constância (Patrícia Pillar), mãe de Laura (Marjorie Estiano). Para quem um dia viveu o apogeu do café, ostentando o título de Baronesa e foi criada em um mundo de diferenças, é difícil aceitar essa nova realidade. Constância e sua família, junto com a perda do título, experimentam a decadência financeira e o prestígio. Para ela, ainda que a escravidão já tenha chegado ao fim, negros e brancos não podem conviver em harmonia.

Já para o senador Bonifácio (Cassio Gabus Mendes), pai de Edgar (Thiago Fragoso), o novo regime representa excelentes oportunidades. Empresário de sucesso, casado com Margarida (Bia Seidl), ele se beneficia da modernização da cidade – seja na sociedade de uma companhia de bondes ou com a negociação de terrenos que comprou no passado, por um valor irrisório, da família de Constância, de quem não hesita em tirar vantagem. Disposto a se dedicar mais à carreira política, ele quer Edgar, seu primogênito, assumindo os negócios da família em vez de Fernando (Caio Blat), seu filho mais novo, que não tem o menor interesse por trabalho ou estudos. Ao trazer o futebol para o Brasil, sua única vocação passa a ser o esporte e, consequentemente, jogar bola com seus amigos Albertinho (Rafael Cardoso), Umberto (Klebber Toledo) e Teodoro (Daniel Dalcin).

Uns com muito, outros com pouco
De um lado, a República traz o progresso para a cidade do Rio de Janeiro. A Belle Époque marca um período de sonhos, de luxo. O Rio segue os moldes de Paris. E para isso é necessário que se abram grandes avenidas, com cafés, confeitarias e magazines.

No Rio de Janeiro que está nascendo, porém, não há lugar para os ares insalubres das moradias coletivas. Os cortiços – e os que nele habitam – precisam ser afastados para dar espaço a estabelecimentos de uma verdadeira cidade cosmopolita. Felicidade para uns, desespero para muitos. Negros e pobres, em sua maioria, de uma hora para outra, se veem sem moradia. Mas o que parecia ser o fim torna-se o começo. Sem ter para onde ir, Isabel e o pai, Seu Afonso (Milton Gonçalves), Jurema (Zezeh Barbosa), Berenice (Sheron Menezzes), Caniço (Marcello Melo Jr), o próprio Zé Maria (Lázaro Ramos) se unem para construir um futuro. E é no Morro da Providência, a  primeira favela a se formar na cidade, que decidem ter sua casa, sua dignidade e sua alegria de volta.

O Morro da Providência
Lugar de gente do bem. De gente que traz na alma a revolta do passado cheio de injustiças e tristezas. Mas também, enche o coração de esperanças por uma vida melhor. Pessoas companheiras, que se unem na alegria e na dor para reconstruir e recomeçar. Isabel (Camila Pitanga) divide seus dias entre o trabalho na casa de Madame Besançon (Beatriz Segall), uma senhora francesa muito chique, e a roda de samba ao lado de seus amigos no Morro. É lá que ela se esquece dos problemas e encontra a alegria de viver e de buscar sua liberdade, soltando o corpo na dança, ouvindo os conselhos de Jurema (Zezeh Barbosa) e recebendo o carinho de Seu Afonso (Milton Gonçalves). E nem mesmo a inveja e as maldades de Berenice (Sheron Menezzes) a derrubam.

Desde a época em que viviam no cortiço, Berenice não tirava os olhos de Isabel cobiçando tudo o que ela tinha: sua beleza, sua sabedoria e, claro, o Zé (Lázaro Ramos). E nem mesmo a dor de terem perdido a casa amoleceu o coração dela, que está determinada atrapalhar os planos de Isabel.

A casa de tia Jurema (Zezeh Barbosa), como é carinhosamente chamada, é o "coração" do morro. É lá que o povo se junta para formar as mais animadas rodas de samba, comer e festejar a vida.

Paris ou Rio? O charme dos teatros
O teatro, assim como em Paris, está em alta no Rio de Janeiro. O sonho de Mario Cavalcanti (Paulo Betti) de ter o seu próprio teatro, não poderia se concretizar em outro lugar que não a Rua do Ouvidor, centro cultural e econômico da capital da República. Ainda que pequeno e simples, o Teatro Alheira seria o palco onde Diva Celeste (Maria Padilha), famosa atriz cômica, brilharia novamente. Mas no meio de seu caminho existe uma pedra: Eliete (Maria Eduarda), uma jovem – e bonita – atriz que pode roubar a cena.

Frederico (Tuca Andrada) - o galã da companhia - e Mario vivem às turras disputando a atenção e o coração de Diva. E para complicar ainda mais a vida dela, Neusinha (Maria Clara Gueiros) chega como camareira, mas, no fundo, sua ambição é de se tornar uma grande atriz e ser a estrela do Alheira. Está armada a confusão!

A PRODUÇÃO

Petrópolis e São Luís ambientam o Rio antigo
Petrópolis, na região serrana do Rio de Janeiro, e São Luís, capital do Maranhão, foram cidades escolhidas para recriar a atmosfera do Rio do início do século XX. Na primeira, foram gravadas as cenas que mostram casarões coloniais, que na trama de João Ximenes Braga e Claudia Lage ficam localizados nos bairros do Catete e Botafogo, na zona sul carioca. Já no Nordeste, as ruas do centro histórico de São Luís serviram de cenário para contar a trama de 'Lado a Lado', que se concentra na região da Gamboa.

As gravações em Petrópolis tiveram duração de oito dias e contaram com aproximadamente 120 profissionais - entre equipes de produção, direção, técnicos e elenco, além de 200 figurantes. Lá, gravaram os atores Camila Pitanga, Thiago Fragoso, Marjorie Estiano, Werner Schünemann, Patrícia Pillar, Isabela Garcia, Christiana Guinle, Juliane Araújo, Rafael Cardoso, Klebber Toledo, Daniel Dalcin, Caio Blat, Emílio de Mello, Cassio Gabus Mendes, Bia Seidl, Priscila Sol e Susana Ribeiro.

Depois do frio da serra fluminense, foi a vez de o grupo encarar o calor do Maranhão. Para lá viajaram os atores Camila Pitanga, Lázaro Ramos, Marcello Melo Jr, Zezeh Barbosa, Sheron Menezzes, Milton Gonçalves, Tião D´Ávila, Rafael Cardoso, Caio Blat, Klebber Toledo e Daniel Dalcin.

Em São Luís, 100 pessoas estiveram envolvidas nas gravações durante dez dias de trabalho, além de 50 profissionais locais de produção. Para compor as cenas, a direção da novela contou com 700 figurantes maranhenses.

Foram necessários três caminhões (aproximadamente 20 toneladas) para levar todos os equipamentos e materiais utilizados em cenas, que incluíram até uma carroça.

Dennis Carvalho, diretor de núcleo da novela e Vinícius Coimbra, diretor-geral, comandaram as gravações nas duas cidades.

Preparação de elenco
Para entrar no clima do século passado, o elenco foi convidado para uma viagem ao tempo em dois dias de workshop com o jornalista Eduardo Bueno. Durante o evento, Peninha - como também é conhecido – contou um pouco sobre a história do Brasil e do Rio na época da Belle Époque. A professora e pesquisadora Clarisse Fukelman e Beth Filipecki – figurinista da novela – falaram sobre a moda e os costumes de 1900.

Jaime Aroxa, dançarino e coreógrafo, ficou com a missão de ensinar o samba de raiz para o elenco do núcleo do Morro da Providência, principalmente Camila Pitanga e Lázaro Ramos, que farão mais cenas de dança. Marcello Melo Jr. e Lázaro contaram com as aulas de Mestre Cocoroca para dar vida aos capoeiristas Caniço e Zé Maria, respectivamente. “Eu já tinha uma pequena noção da capoeira de quando fiz Madame Satã, em 2002, mas estou tendo a oportunidade de aprender mais e isso tem sido muito importante para entender o personagem”, diz Lázaro.

‘Lado a Lado’ tem muitas cenas de batuques e danças que também contaram com a consultoria do percussionista Paulino Dias. Ele ensaiou um grupo de músicos do Maranhão, que fez parte da figuração.

Produção de Arte
O trabalho da produção de arte para uma novela de época é uma verdadeira viagem ao tempo. Nove meses antes da estreia, Nininha Médicis, produtora de arte de ‘Lado a Lado’, e sua equipe já estavam em campo em busca de objetos e materiais que retratassem o período. “Sempre temos que estudar e entrar no universo da trama. Mas essa é uma novela de época, com  um grande conteúdo histórico e fizemos uma grande busca ao passado”, diz Nininha.

Museus, livros e muitas visitas a antiquários e feiras de antiguidades fizeram parte da agenda no período de pré-produção. Muitos objetos precisaram ser confeccionados especialmente para a novela, pois já não existem mais para serem comprados. “Toda a parte de roupa de cama , toalhas de mesa e guardanapos, por exemplo, foram bordados com monogramas, como eram usados no início do século XX”, explica Médicis .

Nada passa despercebido pela produção de arte. Cada detalhe foi estudado, pensado para que o telespectador pudesse realmente conhecer os hábitos de antigamente. Laura (Marjorie Estiano) é uma apaixonada por literatura e para criar o seu ambiente, a equipe comprou muitos livros em sebos. Alguns deles foram restaurados e ganharam capas novas. “A novela é de época, mas os objetos não podem ser velhos e acabados, pois naquela ocasião o livro era novo para quem o lia”, conta a produtora. Ainda para compor as cenas com Laura, a produção fez muitos postais pois era costume das moças da época fazer coleções sinetes com monogramas e marcadores de livros.

Em 1904, além de bicicletas e carroças, bondes e carruagens circulavam pelas ruas do Rio. E a produção de arte restaurou sete modelos de carruagens, que ganharam novos estofados, capotas, cortinas, lampiões e vidros. Na cidade cenográfica que reproduz a Rua do Ouvidor, vendedores ambulantes de miudezas, de bengalas e guarda-chuvas, de flores, de doces serão incorporados ao cenário.

Muito frequentadas pela elite, as confeitarias faziam sucesso no Rio de Janeiro, assim como na França. Para a Confeitaria Colonial, construída na cidade cenográfica, a produção de arte trabalhou desde a sugestão do nome, passando pela criação da logomarca, sua impressão nas louças, os centros de mesa, os cardápios e as comidinhas servidas na época.

‘Lado a Lado’ mostrará duas realidades distintas em um momento de transformações da cidade. Para os cenários dos ricos, serão usadas muitas garrafas de cristal, lamparinas, lampiões, castiçais, perfumeiros, espelhos, gomis. Para os pobres, muito barro, palha, caixotes de madeira, trouxas de roupas, bacias e baldes. A produção mandou, ainda, fazer tábuas de lavar roupa como as utilizadas pelas lavadeiras daquela época, assim como pregadores de roupa feitos de bambu.

Logo no primeiro capítulo, um carnaval de rua agita a trama. Para montar o cenário - nas ruas do centro histórico de São Luís - foram encomendados instrumentos musicais como os usados na época, assim como confetes e serpentinas. "Em 1904, esses adereços de carnaval não tinham cor, por isso tivemos a preocupação de ter confetes e serpentinas menos chamativos. Foram usados seis sacos de 20kg de confetes e dois mil rolos de serpentinas", conta Nininha. Para ornamentar a rua, foi usado aproximadamente 1km de bandeirinhas feitas em tecidos, fitas e flor. A cenografia entrou para colocar portas de madeiras cobrindo os vãos dos casarios coloniais e reconstituindo as construções para que ficassem como as de antigamente.

Cenografia
Quem circula hoje pela Rua do Ouvidor, no Centro do Rio de Janeiro, nem deve lembrar que, no início do século XX, ela era a rua mais chique e badalada da cidade. Era lá que as mulheres compravam artigos finos vindos da França e da Inglaterra, onde estavam as maiores e melhores lojas, os teatros, os jornais, as confeitarias. Na Rua do Ouvidor via-se a influência parisiense que pairava pela cidade, o charme da Belle Époque que conquistava os brasileiros.

Na cidade cenográfica - conceituada pelo cenógrafo Mário Monteiro -  todo esse universo foi retratado em 2.550m2, sendo 10 metros de rua, com 10 lojas, a Confeitaria Colonial, o Bar Guimarães, o jornal Correio da República, a barbearia onde trabalham Seu Afonso (Milton Gonçalves) e Zé Maria (Lázaro Ramos) e, ainda, o Teatro Alheira. "Buscamos referências na arquitetura da época. Temos prédios neo clássicos, ruas estreitas, em paralelepípedo, e calçadas em ladrilho hidráulico", diz Fábio Rangel, um dos cenógrafos responsáveis pelo trabalho. A iluminação, assim como na época, será com postes a gás e, posteriormente, passarão a ser com luz elétrica. Toda a Rua do Ouvidor será reconstruída em computação gráfica, com um backlot em 3D.

A Confeitaria Colonial, a barbearia e o Bar Guimarães, cenários importantes da trama, terão interiores. Os demais prédios serão apenas fachadas. Em uma área de 200m2, a Confeitaria terá um mezanino e uma ambientação mais sofisticada, com 10 mesas de quatro lugares cada espalhadas entre os dois andares.

Primeira favela a surgir no Rio de Janeiro, o Morro da Providência também será recriado em cidade cenográfica. "Teremos, inicialmente, sete barracos construídos com tábuas de demolição", detalha Rangel. Três desses barracos serão reproduzidos em estúdio como casas de Jurema (Zezeh Barbosa), Seu Afonso (Milton Gonçalves) e Isabel (Camila Pitanga) e Percival (Rui Ricardo Diaz).

A história se passa no período em que a arquitetura vivia o movimento da estética, da art déco. "As casas eram cheias de adereços, muitos objetos de decoração, estampas. Isso tudo era uma simbologia da riqueza e que poderá ser visto nos cenários de Constância (Patrícia Pillar) e Madame Besançon (Beatriz Segall),  por exemplo", explica o cenógrafo.

Figurino
"Era uma época de muita poesia". Foi assim que Beth Filipecki, figurinista responsável por 'Lado a Lado' definiu o período em que se passa a novela. E para vestir o elenco que mistura núcleos de ricos e pobres - bem definidos pelas roupas que usavam - Beth e sua equipe montaram um acervo com cerca de 900 peças. Cores, formas, texturas e volumes distinguiam as classes sociais. "Figurino de época é muito elaborado. Mas é uma grande oportunidade para mostrarmos a técnica,o sentimento, a qualificação de nosso trabalho", filosofa  Beth.

O que era moda na França e na Inglaterra, também fazia sucesso entre o povo por aqui. O Brasil estava no momento de seguir os moldes importados. Para as mulheres, um fino acabamento, acessórios, cores leves e muitas flores em organza e seda. Para deixar a roupa luxuosa, usava-se muito linho e tecidos finos. Já os homens, mesmo com o forte calor do Rio, optavam por  tendências vindas da Inglaterra, como ternos em lã. "Era preciso estar bem vestido para se fazer bons negócios. E homens que usavam chapéus eram sinônimos de homens que pensavam, que tinham poder", explica Filipeck.

O figurino feminino das altas classes era composto por diversas camadas de roupas, fazendo com que a mulher mudasse sua postura, ficasse com o corpo mais firme. Para adotar  esse visual chique, elas usavam luvas, chapéus com muitas ornamentações, sombrinhas e, nos pés, calçavam botinhas. As mais pobres ambicionavam ser como as mais abastadas e copiavam suas roupas, mas com uma costura mais simples.

Constância, personagem de Patrícia Pillar, é o exemplo de um figurino mais sofisticado, mais elegante e com mais leveza. Os vestidos foram feitos com  muitas rendas, em cores claras, com transparências. "Usamos muitos tons de azul e hortênsia para a Constância. Queremos que ela transmita um ar de pureza, quase angelical. Estamos trabalhando com metáforas sobre cor", revela Beth.

A jovem Laura (Marjorie Estiano) é uma moça de atitudes modernas e seu figurino acompanha isso. “Ela usa casacos em tons mais escuros, coisas que uma moça daquela época jamais usaria”, diz Beth.

Para o elenco do núcleo pobre, a equipe do figurino trabalhou  bem as roupas para que as peças carregassem  informações, parecessem gastas, velhas, muito usadas. Para isso é necessário um tinturamento especial, um envelhecimento e um desgaste.

As mulheres dessa classe social ousavam mais nos decotes, suas roupas eram como panos amarrados ao corpo, recosturados, emendados. Nos pés, dificilmente usavam sapatos.

No Teatro Alheira, Diva Celeste (Maria Padilha), Neusinha (Maria Clara Gueiros), Mario Cavalcanti (Paulo Betti) e Frederico (Tuca Andrada) tem um figurino mais contrastante com os demais, com mais cor, mais decotes, babados, volumes. “Nesse núcleo pudemos ousar mais. Os personagens tem  mais liberdade, são mais exagerados, com teatralidade. Tudo neles pode ser chamativo, enfeitado”, contaa figurinista 

Caracterização
Foi assistindo aos filmes “The Golden Ball” e “As Melhores Intenções”, que Carmen Bastos, supervisora de caracterização de ‘Lado a Lado’ inspirou-se para compor os looks dos personagens da novela. “Fizemos um profundo trabalho de pesquisa junto com a equipe do figurino. É um processo de criação bem detalhado e fomos juntando informações que tínhamos de imagens, filmes e, claro, seguindo o perfil dado pelos autores”, diz Carmen.

Os cabelos das mulheres no início do século XX eram, em geral, presos. “Cabelos soltos só eram permitidos dentro de casa”, explica a caracterizadora. Chapéus entravam para compor o visual e serviam como símbolos de ostentação. As mais ricas importavam da França e, quanto mais plumas, flores e ornamentações, mais chique era. Presilhas, pentes e fitas também eram muito usados nas madeixas. “Estamos retratando uma época extremamente feminina, em que se usavam muitos adereços”.

Do núcleo rico, todas as atrizes usam meia peruca. “Não se usava cabelos curtos, então achamos a solução de meia peruca para alongar os cabelos das mulheres. Isso dá uma rapidez para a caracterização, pois já deixamos tudo semi preparado”, conta a caracterizadora. Os cachos eram a moda da época, mas a direção da novela está trabalhando com  um conceito bastante natural e a caracterização não deixará os cabelos rígidos. “Não usamos muito spray, queremos ver os cachos caindo, soltos e a brisa balançando os cabelos”, comenta Carmen.

Patrícia Pillar clareou os cabelos para viver Constância. Marjorie Estiano usará um penteado semi preso para Laura. “Ela não está preocupada em seguir padrões, é mais livre e vamos mostrar isso através do cabelo, sempre caindo”, explica Carmen. Já Camila Pitanga passará, diariamente, por um processo de quase duas horas de preparo do cabelo para viver a jovem Isabel: toda a parte da frente será frisada, deixando-o mais crespo. “Vamos exaltar a beleza negra, os cabelos crespos, afro”, afirma a caracterizadora.

Zezeh Barbosa e Sheron Menezzes, que interpretam Jurema e Berenice, respectivamente, usam muito torso amarrando os cabelos, o que era muito comum para os negros daquela época.

Para os homens, barba, cabelo e bigode são quesitos fundamentais para um visual de classe. Os mais ricos os mantém bem feitos, com o maior rigor. Thiago Fragoso, embora jovem, usa barba com cabelos bem escovados e claros. “Edgar é moderno, por isso uma imagem nova, com os cabelos alisados”, define Bastos.

A maquiagem quase não aparece em ‘Lado a Lado’. Com o calor do Rio, a ideia da caracterização é deixar o brilho natural da pele, evitar o pó, usando apenas um blush cremoso quando necessário. Nos lábios, o batom será apenas aplicado com os dedos, exatamente para não ter um contorno perfeito.

Liberdade maior poderá ser vista no núcleo do Teatro Alheira, onde a equipe da caracterização pôde ousar com muitas perucas e apliques de bigodes e cavanhaques para os homens. O mesmo acontece com a maquiagem, que ganha cor e brilho.

Um olhar cinematográfico sobre a novela

Não existia eletricidade no Rio de Janeiro de 1904. As ruas eram escuras e o princípio da luz era do fogo, da lamparina. Partindo dessa realidade, o diretor de fotografia e cineasta Walter Carvalho conceituou todo o seu trabalho para ‘Lado a Lado’. “É uma interpretação sobre uma época, um momento em que não vivemos e só temos referências em imagens em preto e branco. Estamos usando pouca luz e muito fog, o que tira a dureza no vídeo e suaviza a imagem”, explica Walter.

A luz, para o diretor de fotografia, tem que entrar com calma e delicadeza para proteger os atores. “É um trabalho de desiluminação”. ‘Lado a Lado’ marca o reencontro de Walter e Dennis na televisão. Os dois estiveram juntos pela primeira vez em  83, no especial ‘Quarta Nobre’. “Se escreverem a história da TV brasileira, tem que ter um capítulo chamado Dennis Carvalho”, elogia Walter. Na dramaturgia, o cineasta também já fez parte das equipes de ‘Renascer’ e ‘Rei do Gado’.  Com Vinícius Coimbra, Walter trabalhou no set de “Central do Brasil”, em 98.

Entrevista com o diretor de núcleo Dennis Carvalho

Dennis Carvalho começou sua carreira como ator, ainda criança, em 1964. Sua estreia foi na TV Paulista, na novela Oliver Twist. Dez anos depois – e com passagens pelo teatro e por dublagens – foi indicado ao prêmio de melhor ator pela Associação Paulista de Críticos de Televisão, com Ídolos de Pano, quando interpretou o primeiro vilão de sua carreira. Em seguida, Dennis entrou para a TV Globo. 

Como diretor, ‘Malu Mulher ‘ foi seu o primeiro trabalho, ao lado de Paulo Afonso Grisolli e Daniel Filho. No primeiro episódio, Dennis participou da criação e também atuou, ao lado da protagonista Regina Duarte.

Dennis Carvalho dirigiu mais de 15 novelas, entre elas ‘Selva de Pedra’ e ‘Vale Tudo’. Em 95, dirigiu a primeira novela feita no Projac, na Central Globo de Produções, ‘Explode Coração’, de Glória Perez.  Dirigiu programas, como ‘Sai de Baixo’ e minisséries, entre elas ‘A, E, I, O, Urca’, ‘Sex Appeal’, e “Dalva e Herivelto, uma canção de amor”.

O que o público pode esperar de ‘Lado a Lado’?
'Lado a Lado' é uma linda história de amizade entre duas mulheres que vieram de mundos diferentes e que tem o mesmo desejo: liberdade. É, também, uma história de amor, de lutas e conquistas. Vai mostrar a transformação do Rio de Janeiro no início do século XX, o charme da Belle Époque, do nascimento do samba, da chegada do futebol no país. Todos os acontecimentos históricos serão mostrados dentro dos conflitos dos personagens, de uma maneira bem folhetinesca mesmo.

Dirigir uma novela de época requer mais cuidados?
Não podemos nos esquecer que estamos retratando uma época  que não vivemos. Todas as referências que temos daquele período são fotográficas. É preciso muita pesquisa, requer uma atenção aos pequenos detalhes.

Lázaro Ramos e Camila Pitanga são novamente dirigidos por você como casal protagonista da novela. Como é trabalhar com os dois?
É um grande prazer trabalhar com profissionais como Lázaro e Camila. São dedicados, competentes, se entregam de alma aos personagens.

Como foi a escolha do elenco?
Foi um trabalho em conjunto com os autores, com o Gilberto - que está supervisionando a trama - e com o Vinícius Coimbra, diretor geral da novela. Sugiro muitos nomes de pessoas com quem já trabalhei e que sei que serão perfeitas para aquele papel.

Por que a escolha de Patrícia Pillar para viver a vilã Constância?
Porque Patrícia é uma atriz brilhante e dará à Constância o tom  necessário da vilania. Sua beleza e seu ar angelical farão um contraponto à suas atitudes.

Você participou da seleção da trilha sonora da novela?
Sim, juntamente com João Ximenes Braga e Claudia Lage. 'Lado a Lado' é uma novela de época, mas com uma linguagem contemporânea. Vocês podem esperar uma trilha moderna, com ritmos que vão do samba ao hip hop.

Você convidou Walter Carvalho para ser o diretor de fotografia da novela. O que pretendia com isso?
Dar um novo olhar à fotografia da novela, que se passa numa época de pouca luz. Com a visão do Walter conseguimos tirar a dureza e a aspereza das imagens. Ninguém melhor do que ele – com a experiência que ele traz do cinema – para iniciar este trabalho.

Entrevista com o diretor-geral Vinícius Coimbra

Vinícius Coimbra é diretor de TV e cinema. Há 15 anos ingressou na TV Globo através de uma oficina de direção e, hoje, já soma a direção de onze novelas e minisséries, como 'Sabor da Paixão', 'Celebridade', 'JK', entre outras. O trabalho mais recente foi 'Insensato Coração', em que assinou pela primeira vez a direção geral, também ao lado de Dennis Carvalho. Começou sua carreira em 1989, fazendo publicidade e foi assistente de direção de "A Hora Mágica" (1999), de Guilherme de Almeida Prado e "Central do Brasil" (1998), de Walter Salles.  Mas foi no ano passado que Vinícius se realizou no cinema: ele foi o grande vencedor do Festival do Rio com o filme "A hora e a vez de Augusto Matraga", arrebatando cinco prêmios, entre eles os de melhor filme pelos júris oficial e popular, feito inédito na história do Festival.

Como é trabalhar com Dennis Carvalho?
Dennis é um grande diretor e amigo. Talentoso e generoso, sempre temos chance de aprender e de ter nosso trabalho respeitado por ele.

Como é dirigir uma novela de época?
É maravilhoso. Primeiro, por ajudar a contar uma parte tão importante da história do Brasil, o início do século XX no Rio de Janeiro. E, segundo, porque esteticamente este período é deslumbrante. É a chegada da Belle Époque convivendo com a cultura negra no Brasil após o fim da escravidão.

Por que gravar cenas da novela em Petrópolis e São Luís?
Precisávamos de locações que retratassem o Rio de Janeiro do início do século XX e já não encontramos por aqui ruas e casarios que atendessem às nossas necessidades. Petrópolis tem palácios e casarões muito bem preservados e o centro histórico de São Luís tem uma arquitetura que muito se assemelha a do Rio de 1904.

'Lado a Lado' vai usar alguma tecnologia nova nas gravações? Alguma inovação?
Sim, teremos um backlot em 3D na cidade cenográfica. Toda Rua do Ouvidor será reconstruída em computação gráfica.

Entrevista com os autores João Ximenes Braga e Claudia Lage

João Ximenes Braga é jornalista e escritor. Pelo jornal O Globo, foi correspondente em Nova Iorque por quatro anos. Tem quatro livros lançados: dois romances, ‘Juízo’ (7 Letras)  e ‘Porra’ (Objetiva), uma seleção de contos ‘A mulher que transou com o cavalo e outras histórias’ (Língua Geral), e uma das crônicas que publicou no Globo, ‘A dominatrix gorda´. Apaixonado por literatura, ele ingressou na Oficina da Globo em 2004. Na teledramaturgia, começou sua carreira como colaborador de Gilberto Braga nas novelas ‘Paraíso Tropical’ (2007) e ‘Insensato Coração’ (2011).

Claudia Lage é formada em literatura e teatro. E é, também, escritora. Em 2000, lançou o livro de contos ‘A pequena morte e outras naturezas’ (Record). O primeiro romance ‘Mundos de Eufrásia’ (Record), chegou às livrarias em 2009 e foi indicado para o Prêmio São Paulo de Literatura 2010, como melhor romance de estreia. Ministra, desde 2001, oficinas de criação literária. Também fez parte da Oficina da Globo, em 2004, e trabalhou como colaboradora das novelas ‘Páginas da Vida’ (2006)  e ‘Viver a Vida’ (2009), ambas de Manoel Carlos.

Como vocês se conheceram?
João - Na Oficina da Globo, em 2004. É o primeiro trabalho que fazemos juntos. Em 2005, com outros autores, escrevemos a sinopse de um seriado. Quando nos juntamos para escrever essa novela, não imaginávamos que fosse dar certo.

Como é escrever a primeira novela?
João – Um prazer enorme. É uma delícia, apesar da pressão emocional. Vivo as emoções dos personagens.
Claudia – Apesar de toda a pressão, é uma alegria escrever com o João uma história tão bacana, na qual a gente acredita.

Por que uma novela de época?
João - Sempre tivemos muita intimidade com a época em que a novela é passada, pela literatura. Isso já nos fascinava e já tínhamos muitas referências históricas. Fomos alfabetizados vendo ‘Escrava Isaura’. Para mim, novela de época é a narrativa mais elementar que existe na memória.

O tema principal dessa novela é a amizade entre duas mulheres. Por que abordar esse tema?
Claudia - A amizade é o eixo que guia a novela. Laura e Isabel são mulheres à frente do seu tempo e que representam o “embrião da nova mulher”. No final do século 19, as mulheres passam a ficar mais próximas umas das outras, são mais solidárias. A amizade entre as personagens, embora sejam de classes sociais diferentes, é verdadeira, pura e sólida.

Qual o grande conflito da trama?
João - Não é um único conflito, mas sim os conflitos vividos pelas mulheres naquele  início de século, ainda muito parecidos com os atuais: conciliar amor, trabalho e maternidade.

O que o público pode esperar da novela?
João – O público pode esperar por uma história com muita emoção e, também, um folhetim rasgado.
Claudia – Acho que a novela vai mostrar a formação do Rio (social e cultural), mas gerando emoção, melodrama. Tudo misturado, com charme e com um olhar interessante de como tudo começou.

Vocês participaram da escolha do elenco?
João – Sim. Eu, por exemplo, já tinha escrito muito para personagens da Camila Pitanga. Aliás, nunca fiz uma novela sem ter a Camila. O Lázaro, também, já estava convidado desde ‘Insensato Coração’.

Qual a trama mais complicada de escrever? E qual a mais prazerosa?
João – Eu gosto de tudo, não tenho um distanciamento. Vivo cada momento.
 
Perfil dos Personagens

Romances principais

Isabel (Camila Pitanga) – Uma mulher batalhadora, que sonha com o amor e com a liberdade. Trabalha desde os 14 anos na casa de Madame Besançon (Beatriz Segall) e mora no cortiço com o pai, Seu Afonso (Milton Gonçalves). Isabel é uma mulher à frente do seu tempo. Ama Zé Maria (Lázaro Ramos), mas seu amor passará por muitas provações.

Zé Maria (Lázaro Ramos) – Homem simples, trabalha na barbearia com Seu Afonso (Milton Gonçalves). Por sua habilidade ganhou o apelido de Zé Navalha. Capoeirista, Zé se envolverá em algumas confusões e injustiças, já que capoeira na época era sinônimo de bandidagem e proibida por lei. Apesar do amor por Isabel (Camila Pitanga),  os dois enfrentarão muitos desafios.

Laura (Marjorie Estiano) – Uma jovem apaixonada pelos livros e pelas artes. Filha de Constância (Patrícia Pillar), não aceita o jeito reacionário da mãe e quer ser independente e trabalhar, algo impensável para uma mulher de sua classe social na época. Dá aulas como voluntária e vai se casar com Edgar (Thiago Fragoso).

Edgar (Thiago Fragoso) – Filho de família rica, foi estudar Direito em Portugal. Na  volta ao Brasil, vai ajudar seu pai, o Senador Bonifácio (Cassio Gabus Mendes), em seus negócios. Mas sua grande paixão sempre foi o jornalismo. Um jovem preocupado com as injustiças sociais e que se casará com Laura (Marjorie Estiano). 

  Família Assunção

Constância (Patrícia Pillar) – Mesmo sem poder ostentar o título de baronesa, ela não perde a pose. Uma mulher que vive para sua família e não poupa esforços para protegê-la, mesmo que isso possa prejudicar outras pessoas. Está sempre em conflitos com a filha Laura (Marjorie Estiano) e lutará para que o marido tenha prestígio na carreira política. É a grande vilã da história, embora acredite que tudo o que faça seja pelo bem de Assunção (Werner Schünemann), Laura e Albertinho (Rafael Cardoso).

Dr. Assunção (Werner Schünemann) – Casado com Constância (Patrícia Pillar), é pai de Laura (Marjorie Estiano) e Albertinho (Rafael Cardoso). Barão do café no século anterior, entrou em decadência financeira com a Abolição e perdeu prestígio com a República. Instruído por Constância, faz de tudo para que a família recupere sua importância neste novo tempo.

Albertinho (Rafael Cardoso) – Irmão de Laura (Marjorie Estiano). É o típico playboy, sedutor, que não quer saber de trabalho e compromissos. Além de mulheres, ele vai gostar mesmo é de praticar um novo esporte recém-chegado no país, o futebol. Vai se apaixonar por Isabel (Camila Pitanga).

Morro da Providência

Afonso Nascimento (Milton Gonçalves) – Ex-escravo, homem trabalhador, pai de Isabel (Camila Pitanga), ainda muito preso aos valores antigos. É barbeiro e gosta muito de tocar modinhas em seu violão.

Caniço (Marcello Melo  Jr) – Capoeirista de má índole, será um dos responsáveis por difamar a capoeira, sempre se utilizando dela para fins marginais. De amigos, Caniço e Zé Maria se tornarão inimigos declarados.

Berenice (Sheron Menezzes) – Ela inveja Isabel (Camila Pitanga) em tudo e, sobretudo, por esta saber ler e falar francês. Berenice se ressente de sua beleza não ser o suficiente para subir na vida. Quer conquistar Zé Maria (Lázaro Ramos), mais movida pela inveja de Isabel que por paixão.

Jurema (Zezeh Barbosa) – Carinhosa e amiga de todos, uma espécie de segunda mãe de Isabel (Camila Pitanga). É uma líder na comunidade e uma empresária avant-la-lettre. Com o dinheiro que economizou ao longo de anos lavando roupa e vendendo acarajé, constrói uma casa grande no morro onde todos se reúnem para comer e festejar. Seu quintal simboliza os celeiros do samba da época.

Zenaide (Ana Carbatti) – De origem simples, moradora do Morro da Providência.

Percival (Rui Ricardo Diaz) – É quem recebe o povo que perde suas casas do cortiço. Simboliza os primeiros ocupantes do Morro da Providência: os soldados que voltaram da Guerra de Canudos com a promessa, nunca cumprida pelo governo, de ganhar casas.

Etelvina (Lais Vieira) – Casada com Percival (Rui Ricardo Diaz), forma com ele uma família estável e batalhadora. Os dois exercem certa liderança no Morro.

Isidoro (Tião D´Ávila) – amigo e confidente de Seu Afonso (Milton Gonçalves).

Família Vieira

Bonifácio (Cassio Gabus Mendes) – Casado com Margarida (Bia Seidl), o pai de Edgar (Thiago Fragoso) e Fernando (Caio Blat) é Senador da República e um poderoso industrial. Ele aproveita de seu cargo político para conseguir benefícios e vantagens em seus negócios pessoais.

Margarida (Bia Seidl) – Uma típica senhora do início do século XX, submissa ao marido Bonifácio (Cassio Gabus Mendes) e sempre cheia de boas intenções.

Fernando (Caio Blat) – Irmão de Edgar (Thiago Fragoso). É um jovem que não quer saber de estudos e trabalhos. Sua vocação é jogar futebol. Trabalha na indústria do pai, o Senador Bonifácio (Cassio Gabus Mendes), com quem tem péssimo relacionamento, e por isso sente muita inveja do irmão. É amigo de Albertinho (Rafael Cardoso).

Esther (Rhaisa Batista) – Sobrinha de Margarida (Bia Seidl). Só entra na segunda fase da novela.

Teatro Alheira

Diva Celeste (Maria Padilha) – Apesar de ser de família de grandes atores dramáticos, Diva é uma famosa atriz cômica, a grande estrela do Teatro Alheira. Ainda assim, sempre tenta mostrar seu talento no drama, o que causa confusões entre os atores e o diretor. No passado, viveu um triângulo amoroso com Mario Cavalcanti (Paulo Betti) e Frederico (Tuca Andrada).

Mario Cavalcanti (Paulo Betti) – Diretor do Teatro Alheira se esforça para tornar seu projeto rentável. Conhecido por seu mau humor, seu ponto fraco é a paixão por Diva Celeste (Maria Padilha).

Frederico Martins (Tuca Andrada) – Ator do Teatro de Alheira É egocêntrico como Diva (Maria Padilha), de quem já foi amante. Os dois se envolverão em disputas hilárias, deixando Mario (Paulo Betti) enlouquecido.

Neusinha (Maria Clara Gueiros) – Sonha em ser atriz. Entrará no Teatro como camareira e fará de tudo para pegar o lugar de Diva Celeste (Maria Padilha).

Quequé (Álamo Facó) – Contrarregra do Teatro. É atrapalhado e desastrado.

Luciano (André Arteche) – Entrará no Teatro na segunda fase da novela. Péssimo ator, o seu sonho é, na verdade, ter um emprego comum, uma vida normal.  Será interesse amoroso de Neusinha.

Eliete (Maria Eduarda) – Atriz do Teatro,  que logo será expulsa por artimanhas de Neusinha (Maria Clara Gueiros). Participação especial.

Jornal

Carlos Guerra (Emílio de Mello) – Dono do Correio da República, um jornal de oposição. É amigo e grande incentivador de Edgar (Thiago Fragoso) no jornalismo.

Luiz Neto (Romis Ferreira) – Amigo de Guerra (Emílio de Mello), intelectual, companheiro da boemia, escreve no jornal, mas tem posições conservadoras sobre política, artes e comportamento social.

Jonas (George Sauma) – Jovem tipógrafo que sonha em ser jornalista. Está sempre com Guerra (Emílio de Mello).

Família do Delegado

Praxedes (Guilherme Piva) – Delegado autoritário no trabalho, em casa fica perdido entre as mulheres. Casado com Tereza (Susana Ribeiro) e pai de Sandra (Priscila Sol).

Tereza (Susana Ribeiro) – Bibliotecária casada com o Delegado Praxedes (Guilherme Piva), mãe de Sandra (Priscila Sol). Vive às turras com a sogra, Dona Eulália (Débora Duarte).

Sandra (Priscila Sol) – Amiga de Laura (Marjorie Estiano), as duas se conheceram no curso Normal. É uma jovem que também sonha com a liberdade e a independência.

D. Eulália (Débora Duarte) – Mãe do Delegado Praxedes (Guilherme Piva), é uma senhora que só pensa em fazer o enxoval da neta e não aceita o fato da nora Tereza (Susana Ribeiro) trabalhar fora. Com isso, está sempre causando confusões na casa da família.

Jovens / Amigos de Albertinho (Rafael Cardoso)
 
Umberto (Klebber Toledo) – Jovem playboy amigo de Albertinho (Rafael Cardoso). Estudante de Direito, joga críquete – e depois futebol -  com Albertinho e a turma. Sedutor por natureza - com especialização em mulheres mais velhas.

Teodoro (Daniel Dalcin) – Também da turma de Albertinho (Rafael Cardoso). Diferentemente dos outros, é tímido e romântico.

Participação Especial

Madame Besançon (Beatriz Segall) – Patroa de Isabel (Camila Pitanga), uma rica senhora francesa que ensinará francês a ela.

Outros

D. Celinha (Isabela Garcia) – Irmã mais nova de Constância (Patrícia Pillar) e Carlota (Christiana Guinle). É uma solteirona com um espírito cômico e charmoso. É desprezada pelas irmãs por nunca ter tido marido e por ser bem atrapalhada.

D. Carlota (Christiana Guinle) – Irmã mais velha de Constância (Patrícia Pillar) e Celinha (Isabela Garcia). É uma viúva amarga. Com Constância, alimentará uma relação de inveja, mas ao mesmo tempo é sua grande cúmplice.

Alice (Juliane Araújo) – Filha de Carlota (Christiana Guinle). Apesar de amiga de Laura (Marjorie Estiano), tem um perfil diferente da prima: é obediente às ordens da mãe, que controla cada passo de sua vida.

Catarina Ribeiro (Alessandra Negrini) – Uma cantora lírica brasileira que fará muito sucesso em Portugal. Chegará ao Brasil envolta em mistérios.

Padre Olegário (Claudio Tovar) – Padre antigo da igreja frequentada pela elite do Rio de Janeiro. De bom coração, compreende e perdoa com facilidade.

Gilda (Jurema Reis) – Vai entrar na segunda fase pra trabalhar no Bar Guimarães. Impressiona a todos com sua beleza.

Matilde (Luisa Friese) – Empregada de Laura (Marjorie Estiano).

 

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