Microssérie O Bem Amado será exibida a partir do dia 18

 Versão televisiva para o filme de Guel Arraes tem 26 minutos a mais e cenas inéditas.
  
Um dos maiores sucessos do cinema nacional em 2010, o filme “O Bem Amado”, do diretor Guel Arraes, ganha versão para a televisão em quatro capítulos e será exibido pela Rede Globo entre os dias 18 e 21 de janeiro, logo após Big Brother Brasil. Ao todo, a microssérie “O Bem Amado” terá 26 minutos além dos 107 originais. Com cenas extras, as tramas paralelas do filme ganharam mais destaque e a edição modificou o ritmo da narrativa.

Reconhecido diretor de cinema e TV, Guel já havia apontado para o cruzamento das duas mídias em outros dois trabalhos: “O Auto da Compadecida” e “Caramuru – A Invenção do Brasil”, microsséries que foram adaptadas para o formato longa-metragem. Com “O Bem Amado”, ele percorre, pela primeira vez, o caminho inverso, ou seja, do cinema para a TV. A ideia foi concebida antes mesmo do início das filmagens. “Poder pensar os dois formatos ao mesmo tempo quando se está em fase de planejamento e depois ainda no set de filmagem é muito rico”, explica. “É um processo criativo interessante porque são mídias muito distintas e que atingem também públicos diversos. Mas a base da obra é a mesma”.

 Na versão de Guel Arraes para o texto do dramaturgo Dias Gomes, Marco Nanini interpreta o lendário Odorico Paraguaçu, prefeito da pequena Sucupira, cuja meta principal é a inauguração do cemitério municipal. Usando de recursos não muito ortodoxos, ele finaliza a obra, mas o problema é que ninguém morre na cidade. Em sua trajetória para produzir um defunto, surge Ernesto (Bruno Garcia), o moribundo primo das irmãs Cajazeiras – interpretadas por Andrea Beltrão, Zezé Polessa e Drica Moraes –, aliadas do prefeito. Em Sucupira, porém, o primo vai de mal a melhor. Com a ajuda do fiel (e ingênuo) assessor Dirceu Borboleta (Matheus Nachtergaele), Odorico, então, contrata o temido cangaceiro Zeca Diabo (José Wilker). Mas contra os desmandos da prefeitura, o político terá que enfrentar a oposição comandada por Wladymir (Tonico Pereira) e Neco Pedreira (Caio Blat). Para complicar ainda mais, Neco e Violeta (Maria Flor), a filha do prefeito, se apaixonam. E está armado o circo para a “sátira política brasileira por excelência” – como Guel define o texto de Dias Gomes.

A dupla Guel e Nanini é íntima da história de Odorico. Juntos, montaram a peça “Odorico, o bem amado, os mistérios do amor e da morte”, cujo texto inspirou o filme, a novela e a minissérie que a TV Globo exibiu nas décadas de 70 e 80, com Paulo Gracindo no papel principal. Para o cinema, algumas adaptações foram feitas para atualizar as situações do texto original. “As Cajazeiras, por exemplo, que eram beatas, se tornaram peruas. Odorico é muito mais urbano, muito mais um bacharel que assimilou mal a faculdade, fala difícil para impressionar, perdeu um pouco daquele ‘coronelzão’”, explica Guel Arraes. Assim, o diretor acabou criando sua própria comédia política e de vaudeville.

O filme – cujo roteiro é de coautoria de Cláudio Paiva – foi rodado na cidade de Marechal Deodoro, em Alagoas e, depois de estrear em julho de 2010, foi visto por mais de 900 mil espectadores.

Guel Arraes, o cinema e a TV

Pernambucano, Guel Arraes é um dos mais respeitados diretores do país. Filho do ex-governador Miguel Arraes, viveu na Argélia e na França depois que seu pai foi deposto pelo regime militar, em 1964. Em Paris, estudou antropologia e participou do Comitê do Filme Etnográfico, quando conheceu o criador do cinema verdade, o etnólogo e documentarista Jean Rouch. 

De volta ao Brasil, em 1980, foi trabalhar na Rede Globo com Silvio de Abreu e Jorge Fernando na direção de telenovelas. Aberto a diversas influências – da nouvelle vague francesa às chanchadas da Atlântida –, tornou-se diretor de um núcleo de produção da emissora. “Armação Ilimitada”, “TV Pirata”, “Programa Legal”, “Comédias da Vida Privada”, “Central da Periferia”, “O Auto da Compadecida” e “Caramuru – A Invenção do Brasil” fazem parte do currículo do diretor nas telinhas. No cinema, trabalhou como diretor nos filmes “Lisbela e o Prisioneiro”, “Romance” e, mais recentemente, “O Bem Amado”.

Como produtor esteve presente nos longas “Meu Tio Matou um Cara” (2006), dirigido por Jorge Furtado; “O Coronel e o Lobisomem” (2006), de Maurício Farias, com roteiro do próprio Guel; e “A Grande Família” (2007), de Maurício Farias.
  

Fotos: TV Globo/ Ana Stewart.          

  
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