Insensato Coração

             
Nesta história todo o mundo tem uma família, mesmo que ela se resuma a um único parente, que mora longe e com quem se perdeu o contato.

Nesta trama há irmãos que competem entre si, mesmo que uma das partes não tenha ideia de que vive em uma constante disputa. Há irmãs que se respeitam e se entendem apenas com um olhar. Há primas unidas pela dor e pela cumplicidade. Há relações sustentadas pela aparência e outras, pelo amor. Há pais compreensivos e filhos problemáticos. Há marido traído, viúva solitária e almas gêmeas que se casaram com outros pares...

O que toda essa gente tem em comum é o combustível que a motiva e faz com que o medo de errar ou de sofrer não a impeça de viver. Nem sempre as escolhas levam a caminhos acertados, seguros; afinal em cada um dos personagens bate um coração voluntarioso, com razões próprias e que não dá explicações.

Esse é o fio condutor de ‘Insensato Coração’, de Gilberto Braga e de Ricardo Linhares. Com estreia prevista para o dia 17 de janeiro de 2011, a novela tem direção de núcleo e geral de Dennis Carvalho e direção de Vinícius Coimbra, Gustavo Fernandez e Cristiano Marques.
O acidente, o encontro e o noivado

Eles simplesmente estavam lá, juntos, no mesmo avião que partira do Rio de Janeiro rumo a Florianópolis. Embora este encontro – esculpido à mão caprichosamente pelo destino – não tenha nada de simples.

Ela, recém-chegada da Itália, é uma profissional de design pronta para iniciar seu negócio no Rio de Janeiro. Uma jovem cheia de atitude, rica, inteligente e amada pela família, educada pela avó Vitória Drumond (Nathalia Thimberg) e prima de Bibi Castelani (Maria Clara Gueiros). Os pais se foram anos atrás, em um acidente de carro.

Ele, dono de uma carreira bem-sucedida como piloto, está de casamento marcado com a namorada de adolescência. Em sua cidade natal, Florianópolis, vive com a mãe, Wanda Brandão (Natália do Vale), o irmão, Léo Brandão (Gabriel Braga Nunes), e o pai, Raul Brandão (Antonio Fagundes), seu maior exemplo de ética, dignidade e responsabilidade.

Os dois eram passageiros de um voo prestes a ser sequestrado e na iminência de cair. Se conheceram assim, durante uma situação perigosa, delicada, sob forte pressão. E se tornaram cúmplices numa única troca de olhares e em poucas palavras. Ela teve muita coragem, mas ele foi heróico. Juntos evitaram um acidente que poderia ter vitimado fatalmente centenas de pessoas.

É difícil dizer em que instante exato os corações de ambos passaram a bater no mesmo compasso. Mas o fato é que isso aconteceu. Eles se apaixonaram. Um homem e uma mulher, somente isso, sem nome, identidade ou passado. A explosão do encontro não deixou explicações e nem sequer permitiu apresentações formais. Estava sendo escrito, neste momento, o primeiro capítulo de uma história de amor, um amor verdadeiro, mas muito distante de qualquer conto de fadas.

Oficialmente, foram apresentados no segundo encontro, um balde de água fria para ambos, que ainda guardavam na memória o calor do primeiro contato. Eles então se descobriram: ele é Pedro Brandão (Eriberto Leão), noivo de Luciana Alencar (Fernanda Machado). Ela é Marina Drumond (Paola Oliveira), antiga amiga da noiva e madrinha de seu casamento.

Marina e Luciana estudaram juntas nos Estados Unidos. A distância de casa e a solidão num país diferente as aproximaram. Mas Pedro jamais conheceu Marina, a não ser por meio de histórias contadas por sua noiva. Ele sabia que essa “amiga desconhecida” seria madrinha de Luciana no casamento. Somente isso.

Por mais que a vida tente levar Pedro e Marina de volta para seus caminhos, nada mais seria a mesma coisa. E não será. Pedro e Marina estão dispostos a viver este insensato amor.
Sangue comum, corações opostos

Família Brandão

Raul Brandão (Antonio Fagundes) e Wanda Brandão (Natália do Vale) já viveram tempos mais felizes. Eles estão num momento em que a convivência, os anos de relacionamento e as diferenças na maneira de ver o mundo começaram a pesar demais. Um peso que pode destruir um casamento já desgastado, mantido, em alguns momentos, por aparências, nostalgia e breves “deslizes” de romantismo e atração física.

A situação do casal, que vive em Florianópolis, fica ainda mais complicada quando Umberto Brandão (José Wilker) reaparece, após um longo período de paradeiro desconhecido. Ele é irmão de Raul, com quem rompeu anos atrás, por ocasião da morte do pai. Na verdade, quem decidiu se afastar do irmão foi Raul, que nunca conseguiu aceitar a atitude de Umberto, que teria lhe roubado parte da herança. Algo no passado dos dois ficou mal resolvido. Uma história que ainda deixa Raul inseguro por envolver Wanda e seu dissimulado irmão.

Os filhos, Léo (Gabriel Braga Nunes) e Pedro (Eriberto Leão), que também vivem na capital catarinense, mantêm um ótimo relacionamento. Ótimo para quem não sabe ler nas entrelinhas. O mais jovem, Pedro, é um bom rapaz, correto, gentil e trabalhador. Foi feito na mesma forma do pai, com quem se entende sem fazer o menor esforço. Além da afinidade, pai e filho se admiram mutuamente, motivo de muitas desavenças na família Brandão.

A história de Léo é um tanto diferente. Ele quer ser amado, respeitado e admirado como o irmão, mas prefere conseguir seu “mérito” pelo caminho mais curto, sem fazer esforço. Wanda protege o primogênito e, ao contrário de Raul, faz vista grossa para as bobagens que Léo comete ao longo da vida – e não são poucas. Com Raul é o oposto. Esse responsável pai de família sabe que Léo não é uma pessoa confiável. Raul sofre com isso e se decepciona sempre que confirma esse sentimento. Certamente essa relação conflituosa ajudou a alimentar a inveja que Léo sempre sentiu do irmão.     
Lobo em pele de cordeiro

Tia Neném (Ana Lúcia Torre). O apelido inofensivo pode ser considerado um de seus disfarces para deitar e rolar no quesito picuinha. Atraída por confusões, a personagem adora criar desavenças. Ela, cujo nome de batismo é Anita Brandão, se esconde na estampa de frágil e solitária, como se fosse eternamente vítima das circunstâncias. Egoísta, pão-dura e mentirosa, a tia de Raul (Antonio Fagundes) é peça-chave na derrocada da família Brandão.

As únicas pessoas que conseguem ver além das aparências são aquelas que, de certa forma, falam a mesma língua de Tia Neném. Léo (Gabriel Braga Nunes) é um deles. Expert em golpes, ele nunca caiu em suas insensatas atitudes.     
Parentes em Porto Alegre

Uma parte da família Brandão vive em Porto Alegre. O equilibrado e tranquilo núcleo é formado por Floriano (José Augusto Branco), Olga (Norma Blum), Nando (Pedro Garcia) e Irene (Fernanda Paes Leme), a filha de criação. Floriano é primo de Raul (Antonio Fagundes) e os dois nunca tiveram um desentendimento que pudesse afetar a ligação entre eles.

É Irene quem dá pistas de que essa unidade familiar pode ser abalada. A moça tem um sentimento obsessivo por Pedro (Eriberto Leão), que não consegue ver nessa atração qualquer chance de um relacionamento amoroso. Para Pedro, Irene é uma irmã mais nova, uma moleca que nunca se tornará mulher. Mas ela não vê obstáculos quando o assunto é seduzir o primo postiço. Naturalmente sensual, Irene saberá usar o charme para conseguir o que tanto deseja, sem se dar conta de que se trata de uma insensata conquista.      
Luciana e Eunice

Eunice Alencar (Deborah Evelyn) e Luciana Alencar (Fernanda Machado) são irmãs e amigas. Casada com Júlio Machado (Marcelo Valle) e mãe de duas jovens, Leila (Bruna Linzmeyer) e Cecília (Giovanna Lancellotti), Eunice está se realizando através do casamento de Luciana e Pedro (Eriberto Leão). Para essa mulher, que anseia uma posição social de mais prestígio, a união das duas famílias pode ajudar seus planos, o que inclui deixar Florianópolis para morar no Rio de Janeiro, onde suas filhas poderão arrumar bons partidos.

Mas Eunice ama a caçula Luciana verdadeiramente e, por isso, sua principal preocupação é a felicidade da irmã. Apesar da mãe presente e amorosa, Eunice nutre por Luciana um amor maternal e  defenderá sua família com unhas e dentes. Especialmente quando o amor de Marina (Paola Oliveira) e Pedro se transformar em uma ameaça para o futuro de Luciana.

Quem não aprova o jeito de Eunice são suas filhas e por isso as três vivem em crise. Leila, a mais velha, bate de frente com a mãe e não aceita as regras estipuladas por ela. A jovem quer ser independente o quanto antes e não sabe lidar com as imposições dos pais. Já Cecília, embora mais doce, sabe bem o que quer da vida. Isso também implica em não baixar a cabeça para as insensatas ordens da mãe. 
Júlio, além de marido, é parceiro nos desatinos de Eunice. Eunice é medíocre e cheia de defeitos. Seu marido não é muito diferente.
Elegância carioca

O império de Vitória

Vitória Drumond (Nathalia Thimberg) é dona de uma cadeia de shoppings e nunca se deixou abater com as perdas que sofreu ao longo da vida. Viúva, Vitória perdeu os filhos num acidente de carro. Seu núcleo familiar hoje está restrito às netas  Marina (Paola Oliveira) e Bibi (Maria Clara Gueiros), com quem tem uma ligação amorosa, de respeito e muito carinho.

Marina está chegando da Itália, onde estudou Design. Por enquanto, vive na casa da avó, mas quer abrir seu escritório no Rio de Janeiro e montar uma equipe. Para isso, conta com contratar André Gurgel (Lázaro Ramos), o designer mais famoso da cidade.

Bibi mora em seu próprio apartamento. É uma mulher exuberante, com tino para escolhas caras, mas sabe cuidar do seu dinheiro como ninguém. É namoradeira e adora se envolver em jogos de sedução. Bibi perdeu a mãe no mesmo acidente que matou os pais de Marina, sua prima e grande amiga. O pai de Bibi está vivo, bem vivo. É Milton Castelani (José de Abreu), um falso rico, que gosta do bom e do melhor e sobrevive às custas da filha. Quem não gosta nada desta história é Vitória. A matriarca acha um absurdo que sua neta tenha que gastar parte de sua herança sustentando um homem que não se esforça para conseguir um trabalho. 

Depois da morte do marido, Vitória arregaçou as mangas e tomou as rédeas de seus negócios. Antenada e totalmente integrada à modernidade e ao mundo digital, ela é daquelas que sabe tirar partido das novas tecnologias. A matriarca é cercada por pessoas de confiança, como Carol Miranda (Camila Pitanga) e Oscar Amaral (Luigi Baricelli), alto executivo do grupo. Ele é o braço direito de Vitória, talvez a única pessoa com quem ela possa dividir seus problemas.
Jonas fora de controle

Jonas Brito (Tuca Andrada), antigo segurança da família Drumond, passou um longo período na prisão, mas nunca deixou de alegar inocência e de exigir justiça. Ele foi acusado de ter facilitado um roubo à mansão de Vitória (Nathalia Thimberg), mas nunca se conformou com isso, embora todas as provas apontassem para ele.

Após conquistar a liberdade, o ex-detento percebe que perdeu tudo, incluindo a família e a dignidade. Ele resolve então ir à casa dos Drumond para resolver as coisas do “seu” jeito. Sob a ameaça de voltar à prisão, o segurança vai embora da mansão, com uma vontade ainda maior de se vingar de Vitória. Sueli Brito Aboim (Louise Cardoso), irmã de Jonas, tenta impedir que ele faça uma bobagem, mas seus esforços são infrutíferos.    

Jonas pretende atingir o que Vitória tem de mais valioso, suas netas Marina (Paola Oliveira) e Bibi (Maria Clara Gueiros). Ele descobre que as duas viajarão para Florianópolis e planeja sequestrar o avião.
Jonas sabe que se colocar seu insensato plano em prática não terá como desfazê-lo, mesmo que pague com a sua própria vida.

Sueli é a pessoa que mais sofre com os desatinos do irmão e é a única que acredita na sua inocência. Viúva batalhadora, ela tem um filho e trabalha duro para tirar todo o sustento da família do quiosque que tem em Copacabana. Mas nada disso, nem as dificuldades que aparecem pela frente, lhe roubam a maneira bem-humorada e leve de ver a vida.
Sorte no jogo e falta de amor

No Rio de Janeiro, André Gurgel (Lázaro Ramos) é uma referência quando o assunto é design. Ele é um profissional de muito talento e sucesso notável. Aliás, a vida deste homem é invejável por vários outros aspectos. Ele consegue conquistar a mulher que desejar. Mas estabeleceu para si mesmo um princípio inabalável: não sair com a mesma pessoa mais de uma vez. Isso não significa, contudo, que André seja mau-caráter, afinal ele nunca dá falsas esperanças para as românticas que aparecem em sua mira.   

A vida de André segue seu curso normal até aparecer Carolina Miranda (Camila Pitanga). Na realidade, reaparecer. Os dois se conheceram na época da escola, e ela sempre passou despercebida, pois era o “patinho feio” da turma. Mas Carol se tornou uma linda mulher, atraente, interessante e, assim como André, é bem-sucedida, no cargo que ocupa nas empresas de Vitória Drumond (Nathalia Thimberg). Segura de si, ela ainda conta com o amor, o apoio e a cumplicidade da irmã Alice (Paloma Bernardi), com quem divide o apartamento onde mora.

Carol sempre foi apaixonada por André e colocou na cabeça e no coração que vai conquistá-lo. Ela só se esqueceu de combinar isso com ele... Por mais que André tenha ficado tocado com o charme da ex-colega de colégio, não pretende abrir mão da solteirice. Carol vai conseguir fazer com que André burle sua própria regra, transformando o primeiro encontro em segundo, terceiro...

Como tudo na vida tem seu preço, Carol e André pagarão por esse insensato relacionamento, que nasceu na marra e pode não ter mais fim.     
Além das aparências

A família Cortez é um exemplo de família feliz. De longe, apenas de longe. Quanto mais se aproxima deste grupo, mais se enxerga infelicidade, traição e segredos dos quais ninguém teria orgulho. Horácio (Herson Capri) é o chefe da casa. O rico banqueiro de investimentos está frequentemente sob investigação devido à falta de clareza em seus negócios. Talvez apenas Paula (Tainá Müller), sua filha mais velha, fruto do primeiro casamento, conheça um pouco mais sobre o verdadeiro caráter do pai. A jovem é sua maior cúmplice e topa qualquer jogada desde que saia lucrando.

Horário é casado com Clarice (Ana Beatriz Nogueira), que abriu mão de seus sonhos para se dedicar ao marido e ao filho, Rafa Cortez (Jonatas Faro). Clarice é feliz e dedicadíssima ao lar. Horácio reconhece o valor de sua esposa, mas não deixa de viver suas aventuras fora de casa. O empresário é um homem de muitas mulheres, especialmente as mais belas.

Clarice é muito amiga de Vitória (Nathalia Thimberg), com quem mantém um relacionamento estreito. Já no campo das inimizades, Horário coleciona uma lista bem robusta e o jornalista Kléber Damasceno (Cassio Gabus Mendes) é a maior delas. Ele tem um faro apurado para investigações de crimes financeiros e denúncias envolvendo corrupção.
Um único golpe, de sorte e azar

Norma Pimentel (Glória Pires) é uma mulher simples, sem excessos, como tantas outras que circulam pelas ruas. O que esta técnica de Enfermagem tem de especial é a bondade, traduzida na capacidade de acreditar no ser humano. A viuvez e a solidão de anos fizeram de Norma uma pessoa frágil emocionalmente, em geral movida por insensatos sentimentos e, por isso, um prato cheio para aproveitadores.

O inferno de Norma começa no dia em que conhece Léo (Gabriel Braga Nunes). O vilão, disfarçado de um belo anjo, aparece em sua vida com outra identidade e uma conversa doce. Assim, Norma se vê envolvida em suas artimanhas sem limites, especialmente porque há muito dinheiro envolvido.
Por ali, no Horto...

Bar do Gabino

É no Bar do Gabino (Guilherme Piva) onde os amigos se reúnem para ouvir boa música e comer bons petiscos. A cozinheira de mão cheia Fabíola (Roberta Rodrigues) é também muitíssimo afinada. Sempre que consegue driblar o insensato patrão sai da cozinha e vai para o salão cantar samba e alegrar a clientela.

O lugar é cenário para muitos encontros, como os de Kléber (Cassio Gabus Mendes), irmão de Gabino, com a ex-mulher Daisy (Isabela Garcia). Neste caso, para discutir a pensão alimentícia da filha Olívia (Polliana Aleixo), que está sempre em atraso.

É muito comum ver Kléber batendo de frente com o irmão, afinal eles têm personalidades muito distintas. O jornalista é bagunceiro, desorganizado e representante fervoroso do machismo. Em contrapartida, Gabino é organizado ao extremo, metódico e cheio de regras. O embate entre eles tem um pé na comédia, que ganha o reforço de Haidê (Rosi Campos), a faxineira do bar.    
O show não pode parar

Segundo lugar no reality show “Volúpia da Montanha”, Natalie Lamour (Deborah Secco) – sim ela abriu mão do sobrenome original, Batista, por uma opção mais artística! – tem uma rotina puxada: academia, clínica de estética, presença em eventos badalados... tudo, tudo para voltar à mídia.

Mas a maré não anda boa para o lado desta “ex-futura-celebridade”. Há três anos, quando deixou o programa, conseguiu projeção e aproveitou para agarrar com unhas, dentes e pouca roupa todas as oportunidades que poderiam lhe render fama e dinheiro. O problema é que o tempo passou e ela foi caindo de categoria no ranking informal do mundo dos famosos. Não é mais reconhecida nas ruas ou convidada para festas. Autógrafo, então, nem pensar!

Hoje em dia precisa suar muito para conseguir um trabalho, qualquer um que seja. A vida não anda nada fácil para ela. Mas Natalie não desiste, até porque pretende ir bem mais longe. Natalie não busca apenas os holofotes. Ela quer um marido rico. Nada de amante ou caso passageiro. A bela e esperta Natalie quer se casar pra valer. Em sua mira está André (Lázaro Ramos), um bem-sucedido designer que circula pela noite carioca. O que Natalie ainda não sabe, mas descobrirá na prática, é que o solteirão está muito feliz com sua vida livre, leve e solta.

De um lado ela tem o apoio do promoter Roni (Leonardo Miggiorin), que funciona como amigo, empresário, conselheiro amoroso, personal-shopper e o que mais for necessário, de outra, a mãe Haidê (Rosi Campos) que vive puxando suas orelhas. Para essa faxineira, um bom emprego seria o caminho mais curto para a filha se tornar, de fato, dona do próprio nariz.

Haidê vive com Natalie e seu outro filho, Douglas (Ricardo Tozzi), no apartamento comprado pela modelo com o que recebeu por dois ensaios em revistas masculinas e algumas campanhas publicitárias. Ela é grata por não precisar se preocupar com aluguel, mas, como é muitíssimo batalhadora, sabe o quanto está sendo difícil sustentar a família sozinha. Douglas, por sua vez, também não é chegado ao trabalho, mas tem o gosto apurado para o bom e o melhor. O rapaz acha que a maneira mais adequada de conseguir o que quer é esculpindo o corpo e mantendo a fama de bonitão do Horto.       
Cenografia e produção de arte

O trabalho de cenografia e produção de arte da novela está dividido em várias frentes. O diretor de arte Mario Monteiro, parceiro dos autores e do diretor desde a época de ‘Dancing’ Days’, conta que o ponto de partida é uma ajustada sintonia. “Renovação a cada novo trabalho é a palavra de ordem”, explica o diretor Dennis Carvalho, que considera a obra de Gilberto Braga e de Ricardo Linhares uma crônica social e um grande mural da sociedade carioca contemporânea, feitos com crítica ácida e sempre bem-humorada.

De acordo com Mario Monteiro, a modernidade é um traço forte dessa novela e está presente até mesmo nos cenários mais tradicionais, como a mansão de Vitória (Nathalia Thimberg).  

“Em ‘Insensato Coração’, tudo é detalhadíssimo, pois há muitos escritórios e muitas empresas. Tudo leva uma marca ou um logotipo, nos uniformes, no material de escritório ou em crachás. Mas acho que o trabalho com os aviões reais foi especialmente grandioso, pois cada detalhe foi cenografado por nós”, conta Tiza Oliveira, que divide a produção de arte com Silvana Estrella.
O “avião-cenário”

‘Insensato Coração’ está sendo a primeira produção a fazer uso da mais recente aquisição da Rede Globo, um avião importado, fabricado especialmente para funcionar como cenário de gravações. Seu tamanho, embora guarde as mesmas proporções de uma aeronave real, é bem maior do que o de um airbus de verdade para permitir a colocação e a movimentação de câmeras e equipamentos.

Tiza Oliveira explica que o avião foi montado sem nenhum detalhe ou acessório. O que significa que foi de responsabilidade da equipe de Tiza e Silvana todo o trabalho de criação de logomarcas e do material de bordo, como travesseiros, folhetos, placas de sinalização e kits de alimentação.
Florianópolis

As gravações de ‘Insensato Coração’ começaram em Florianópolis. A viagem para Santa Catarina exigiu das duas equipes – cenografia e produção de arte – uma ação integrada. Os ambientes escolhidos como locação para as cenas passaram por diferentes modificações até entrar no clima, na cor e na temperatura da novela. “Os trabalhos em Florianópolis começaram em setembro e se limitaram a pequenas intervenções. O objetivo básico foi explorar o visual e a atmosfera da cidade. O desafio maior veio depois: reproduzir no Rio de Janeiro algumas locações, como a fachada do prédio do escritório onde trabalha Raul (Antônio Fagundes)”, conta Mario Monteiro.

Tiza Oliveira explica que, antes do início das gravações, houve uma pré-visita a Florianópolis para a escolha das locações. Depois desta etapa, Silvana e sua equipe seguiram para o sul do país, com a produção e os atores, para colocar a mão na massa e ambientar os cenários selecionados, a exemplo de um clube, transformado em hotel de luxo. “Alugamos, compramos e contratamos produtos e serviços locais. Antes de viajarmos, fizemos um levantamento das empresas que poderiam nos apoiar em Florianópolis e isso facilitou demais o nosso trabalho”, detalha Silvana.

A novela tem muito movimento, especialmente as tramas ambientadas no balneário, com destaque para o núcleo jovem.  Há cenas de wakeboard e festas em praias, clubes, restaurantes e boates. Da comida aos detalhes da decoração, como almofadas, velas e mobília, tudo foi planejado com antecedência e executado de acordo com os hábitos, o sabor e a cultural de Florianópolis.  
Cidades cenográficas

Há duas cidades cenográficas construídas no Central Globo de Produção, em Jacarepaguá. Na primeira delas foi reproduzido um trecho do Horto, bairro onde moram personagens como Natalie (Deborah Secco), Douglas (Ricardo Tozzi) e Gabino (Guilherme Piva) – dono de um bar onde rolarão tardes e noitadas de samba. Com seis mil metros quadrados, essa cidade conta com casas, prédio, estabelecimentos comerciais e uma praça.

A outra cidade, de 10 mil metros quadrados, abriga dois importantes cenários: o shopping do grupo Drumond e a boate/clube Barão da Gamboa. O projeto do shopping conta com uma garagem, um estacionamento externo para 40 veículos, um restaurante, uma lanchonete e um foyer com 220 metros quadrados. A torre do shopping, que na ficção terá 40 andares, foi construída em uma maquete para ser inserida no cenário por meio de computação gráfica. “É um processo muito utilizado no cinema americano. Estamos usando pela primeira vez na televisão. A maquete possui uma base de 18 metros quadrados e altura de dois metros”, antecipa o diretor de arte.

A entrada do shopping será requintada, com restaurante e lanchonete estilosos. A inspiração veio de Nova Iorque, com adaptações ao universo carioca, e estão sendo criados e desenvolvidos pela produção de arte talheres, louças, logomarcas e até mesmo as comidas do cardápio.

Já o Barão da Gamboa reproduz uma fachada neoclássica do século XIX, característica do bairro da Gamboa, na zona portuária do centro do Rio. O ambiente externo tem bares e uma piscina de 12 metros quadrados. No interior, há um bar, sala de sinuca, pista de dança para 200 pessoas e um palco com plateia de 250 lugares. “As obras começaram em setembro e foram concluídas no final de dezembro”, diz Mario Monteiro, o criador do projeto.

Para decorar o local, a produção de arte apostou em acessórios específicos para cada ambiente da boate, a exemplo dos 400 copos com formatos, cores e texturas diferentes. “Estamos prevendo exposições no foyer, especialmente do designer André Gurgel (Lázaro Ramos). Este cenário será palco de diversos acontecimentos deste personagem”, conta Tiza.  
No estúdio

Estão sendo produzidos 112 cenários por onde os personagens de todos os núcleos circularão ao longo da trama inteira. A mansão de Vitória (Nathalia Thimberg) e os escritórios da família Drumond, especialmente o de Marina (Paola Oliveira), são os mais ricos em detalhes. O apuro nas formas estará presente com diferentes propostas. “Há design popular naif nas casas menos abastadas e design mais sofisticado nas residências e nos escritórios de artistas e classe altas. Resumindo, criatividade em todos os níveis”, brinca o diretor de arte Mario Monteiro.

Para decorar e ambientar os escritórios dos personagens com mais intimidade com o universo de design, a equipe de produção de arte visitou inúmeros profissionais do mercado. O desafio é torná-los críveis. Projetados pela cenografia e com a vivência trazida pela produção de arte, esses cenários contam com equipamentos específicos e ornamentação de muito bom gosto. Os produtores também tiveram o cuidado de buscar designers que pudessem criar peças exclusivas para fazer parte da história. Foram cedidos objetos como mesa, talheres e até mesmo um barco, que levarão a assinatura de personagens como André Gurgel, papel de Lázaro Ramos.
Treinamentos e vivências

A produção de arte é responsável por uma atividade muito importante na fase de pré-produção de uma novela: as aulas, os cursos, os treinamentos e os workshops pelos quais os atores precisam passar para se aproximar do universo de seus personagens.

Eriberto Leão, o piloto Pedro, teve aulas de pilotagem. Giovanna Lancellotti e Jonatas Faro que vivem, respectivamente, Cecília e Rafa, aprenderam manobras de wakeboard. Guilherme Piva, o Gabino, dono de um bar, teve aulas com um garçom. Paola Oliveira (Marina), Lázaro Ramos (André) e Leonardo Carvalho (William) puderam conhecer um pouco mais sobre o mundo do design. Eles visitaram escritórios reais, conversaram com consultores desta área e receberam dicas de profissionais renomados no mercado. Cristiana Oliveira, que interpretará uma presidiária, esteve em presídios femininos para sentir na pele a realidade dessas mulheres.
Caracterização e Figurino

Em ‘Insensato Coração’, quando os assuntos são caracterização e figurino, a palavra-chave é bom gosto, presidente no exagero, na simplicidade e na ousadia. Em parceria, Fernando Torquatto, que assina a caracterização, e Helena Gastal, a figurinista da novela, têm papel fundamental na materialização dos personagens que povoam a imaginação dos autores Gilberto Braga e Ricardo Linhares.

A trama, ambientada no Rio de Janeiro e, em parte, em Florianópolis, se passa nos dias atuais e começará a ser exibida no auge do verão. Esses fatores serão facilmente percebidos nas roupas, na maquiagem, nos cortes de cabelo e nos acessórios dos personagens. Tecidos leves e coloridos foram escolhidos especialmente para as cenas realizadas em locações como praias e festas no balneário.
Torquatto, que trabalha com Núbia Mazia, supervisora de caracterização, ressalta que os esmaltes, em alta na moda atual, terão atenção especial para ajudar a compor os looks. Além disso, em suas apostas, estão as sombras coloridas. “Eu gosto muito de fazer novela e de driblar a dureza do dia a dia para não cair no trabalho mecânico. Em ‘Insensato Coração’ há muitas transformações de personagens, o que é muito bacana, pois exige de nossa criatividade constantes renovações”, revela Torquatto.

Helena Gastal também faz as suas investidas. Com base nos perfis dos personagens e em tendências do próximo verão europeu, a figurinista lança mão de macacões, pantalonas e roupas curtas.
Mulheres naturalmente sofisticadas. Assim são as personagens femininas de ‘Insensato Coração’. O ponto de partida é o primor na elaboração para traduzir uma sofisticação urbana bem específica. Um quebra-cabeça de cores e texturas foi montado para chegar a uma identidade clara e única, capaz de falar a mesma linguagem do texto e da emoção dos autores.

“Depois das primeiras conversas com o diretor e os autores, vêm as provas de roupa, uma etapa importantíssima do projeto sob a ótica do figurino. É neste ponto que testamos todas as propostas que nasceram após um longa pesquisa de referências em revistas, sites de moda, filmes... ou mesmo aquelas desenhadas especialmente para a novela. Durante essas experimentações, a equipe avalia o que realmente está funcionando e batemos o martelo”, conta Helena Gastal, que trabalha na área de figurino há 31 anos. Aliás, o trabalho de estreia da figurinista na Rede Globo foi em ‘Malu Mulher’, que contava com a direção de Dennis Carvalho. Já a primeira novela feita por Helena foi ‘Água Viva’, escrita por Gilberto Braga. 

Logo nos primeiros capítulos, quando grande parte dos acontecimentos se concentra na capital de Santa Catarina, o público vai poder conhecer personagens do núcleo jovem, como Leila (Bruna Linzmeyer) e Cecília (Giovanna Lancellotti). Leila adora moda e tem um pezinho no rock’n’roll. Ela é resultado de uma mistura pop, permitida às jovens com sua personalidade e antenadas ao mundo da moda. Leila usará transparências e jaquetas curtinhas e justas. Já Cecília, de personalidade mais romântica, leva para a forma de se vestir, maquiar e enfeitar essa maneira de ver a vida.

Quando estiver em Florianópolis, a protagonista Marina (Paola Oliveira) vai deixar um pouco de lado o seu estilo, que transita entre o clássico e o moderno, para usar peças mais claras e coloridas. Marina, como é uma mulher muito ligada ao universo das artes plásticas e do design, leva estas referências para as roupas sóbrias. Peças fluidas, sedas e macacões vêm acompanhados de uma maquiagem sem exagero. Esta jovem mulher preza pela qualidade e tem grande apuro por formas bem definidas, sem perder a doçura e a feminilidade. As jóias e bijus foram escolhidas com muito cuidado e grande parte das peças foi fabricada exclusivamente para a personagem. O minimalismo está presente em seu cabelo, curto e naturalmente loiro. A maquiagem é composta de tons neutros. Em um evento logo no começo da trama, a mocinha aparecerá vestida elegantemente de smoking.

Bibi (Maria Clara Gueiros), a prima e grande amiga de Marina, é sinônimo de extravagância. Exuberante e muito segura de si, a ricaça usa o que tem vontade, e isso vale para cores, texturas, estampas e modelos distintos. Mas todas as suas peças e acessórios são de grife e custam muito caro. Imitá-la não é tarefa fácil. Bibi é ruiva e adora brincar com apliques no cabelo de corte chanel longo. Não é de se estranhar que seus penteados mudem tão radicalmente do dia para a noite. “Bibi é adorável. Há muito humor e ousadia nesta personagem. Ela não tem medo de errar e pode arriscar, afinal é uma mulher acostumada ao luxo”, explica Fernando Torquatto. Em relação ao guarda-roupa de Bibi, Helena Gastal brinca: “Ela é um escândalo! É daquelas mulheres que prendem a nossa atenção quando a encontramos nas ruas”. Bibi usa muito brilho, dourado em excesso e estampas variadas de animais. 

A moda folk estará representada em ‘Insensato Coração’ na personagem Irene (Fernanda Paes Leme), uma jovem naturalmente sensual. Como o pai trabalha numa fábrica de cerâmica, a proximidade com este universo inspirou a escolha de seu estilo. Cintos largos, peças estampadas com quadriculados, jeans, shorts curtos e camisetas decotadas fazem parte de seu guarda-roupa. Irene mora perto da praia e por isso usa pouquíssima maquiagem e tem os cabelos levemente queimados do sol e iluminados com fios dourados.

Glória Pires, a Norma, vai aparecer no começo da história totalmente sem vaidade. “Cada personagem tem que ter um código afetivo para estabelecer uma ligação emocional com o público de casa. E isso se aplica à imagem completa, que vai da cor das unhas e do batom ao jeito de se vestir. Especialmente em relação à Norma, tivemos o cuidado para construí-la bem próxima à realidade. Ela é uma mulher que não se produz, mas isso não significa que houve desleixo em sua construção”, contou Torquatto. Com o tempo e a paixão por Léo (Gabriel Braga Nunes), Norma vai se tornar mais feminina e passar a usar vestidos com estampas de pequenos florais que ajudarão a dar um tom discretamente charmoso a seu visual.     

Natalie (Deborah Secco) é uma personagem muito popular. Antenada mas sem condições financeiras para comprar peças de grandes marcas ou assinadas por estilistas, ela se vira como pode, ajustando o guarda-roupa ao apertado orçamento. Loiríssima, Natalie está quase sempre com os olhos bem marcados, em contraste com os tons rosados na boca, no rosto e nas unhas. “Rata de academia”, ela sabe que a beleza abre portas e que seu corpo pode e deve ser exibido. Por isso, abusa do figurino ajustado, curto e muito decotado. Natalie também usa muito brilho e passeia pelo exagero.

Uma mulher cosmopolita, urbana e com toques de romantismo. Esta é Carol (Camila Pitanga). O cabelo ganhou fios assimétricos e o seu jeito de vestir é chique e informal, com saias curtas e pantalonas, duas peças que marcam seu figurino. À noite, Carol aposta em vestidos e roupas mais românticas. Quando se encontra com André (Lázaro Ramos), por quem é apaixonada, escolhe vestidos leves e esvoaçantes. A irmã de Carol, Alice (Paloma Bernardi), traz para a novela a moda esportiva: malhas, tênis com jeans e peças de street wear. Estudante de Educação Física e adepta de um estilo de vida extremamente saudável, Alice tem uma caracterização que ressalta a sua juventude e frescor.

Wanda (Natália do Vale) é uma mulher madura, embora não tenha deixado de lado a jovialidade e a sensualidade. Ao longo da trama, ela passará por mudanças notáveis em relação ao figurino e à caracterização, mas no começo da história usará roupas mais vaporosas, com acessórios. Wanda adora decotes e escolhe modelos que a deixam com um ar mais jovial, revelando que ali ainda existe uma mulher pulsante e cheia de vida.

Os cabelos mais curtos marcam presença em muitas mulheres da história, como Haidê (Rosi Campos), Clarice (Ana Beatriz Nogueira) e Daisy (Isabela Garcia). Dos mais populares aos mais endinheirados, com poucas exceções, os personagens seguem a mesma linha de estética, que preza por um visual limpo e contemporâneo, sem muitas interferências.

Muitas referências da moda dos anos 60 farão parte do figurino de Eunice (Deborah Evelyn). Ela se veste de forma contida e tradicional. Seu cinto combina com o sapato, que combina com a bolsa e com os detalhes de tudo o que veste. Eunice gosta das roupas com caimento ajustado, como as saias-lápis, tubinhos secos e malharia clara. Já Luciana (Fernanda Machado), sua irmã, é uma típica “patricinha”.

A toda poderosa Vitória (Nathalia Thimberg) é moderna. “Eu pensei em fazer uma executiva bem integrada aos dias de hoje. A roupa tem que acompanhar a mentalidade aberta de Vitória”, explica Helena Gastal. Por isso, Vitória não poderia ser uma daquelas senhoras que vivem de tailleur e pérolas. Com os fios brancos assumidos, obviamente com muito estilo, Vitória ganha acessórios com desenhos diferenciados e roupas com cortes assimétricos e sobreposições, além de malharia para usar em casa. 

Entre os personagens masculinos, Pedro (Eriberto Leão) é um homem que cuida de sua aparência sem nenhum exagero. Por ser piloto, está sempre barbeado e com o cabelo cortado. Ele é viril e educado, o arquétipo do homem tradicional. O rapaz não liga para moda. Ele prefere o conforto e não tem nenhum compromisso com o universo fashion. Pedro só compra o que vai usar.
André (Lázaro Ramos) é objetivo e leva a vida sem sentimentalismos. É conquistador e, por isso, vaidoso. Elegantíssimo, está sempre com boa aparência e o figurino caprichado, em tons de preto, branco, cinza, azul marinho e bege.

Léo (Gabriel Braga Nunes) é sedutor, mas esconde um lado sombrio, reforçado por peças de cores escuras. O visual, marcado por um corte de cabelo cerrado, reflete traços da personalidade fria e calculista do vilão. 

Raul (Antonio Fagundes) apresenta-se de forma naturalmente elegante. Já seu irmão, Umberto (José Wilker), carrega no figurino marcas de sua malandragem. Raul veste-se de maneira mais sóbria, com cores fechadas. Umberto usa terno e camisas com leves estampas.  
Viagem para Florianópolis

As gravações de ‘Insensato Coração’ começaram no final de setembro, quando a equipe de produção, sob a batuta da gerente de produção Carla Mendonça, partiu rumo a Santa Catarina. Tudo o que foi usado pelos profissionais foi transportado em três caminhões, cheios de peças de cenografia, produção de arte, figurino e caracterização - além material de suporte para engenharia, efeitos especiais e fotografia. Na primeira etapa da viagem foi realizada a captação de imagens de vários pontos de Florianópolis. Na cidade são ambientados acontecimentos importantes que se estendem por, pelo menos, 60 capítulos. É na ilha onde vive a família Brandão e é lá que alguns encontros de Marina (Paola Oliveira) e Pedro (Eriberto Leão) ocorrem. 

“Levamos dois meses planejando a viagem. Florianópolis é uma cidade com muita estrutura e isso ajudou bastante o nosso dia a dia por lá. Fizemos duas viagens para conhecer as locações antes das gravações começarem e tivemos que nos antecipar para solicitar as devidas autorizações para trabalhar em lugares específicos, como as cenas em praias”, conta Carla Mendonça.

A estadia no sul do país chegou ao fim na primeira semana de novembro. Neste período, cerca de mil profissionais da Rede Globo foram deslocados para a capital catarinense. Alguns atores que, na trama, moram em Florianópolis passaram por lá, entre eles Eriberto Leão, Antonio Fagundes, Glória Pires, Fernanda Paes Leme, Fernanda Machado e Deborah Evelyn.

Praias, pontes, praças, boates e hotéis foram alguns dos locais escolhidos para servir de locação para as cenas rodadas em Florianópolis. Foram 26 pontos da cidade visitados, além de muitas ruas e avenidas, que ajudarão o telespectador a conhecer um pouco mais da ilha onde parte da história se passa. 

A população local também estará em ‘Insensato Coração’. Quase mil figurantes fizeram parte das cenas iniciais da novela, especialmente em festas, passeios por praias e sequências gravadas em locais emblemáticos da capital, como o Mercado Público, a Lagoa da Conceição e a Praia Mole. 
Entrevista com o diretor Dennis Carvalho

Há mais de 30 anos dirigindo novelas, minisséries, seriados e programas de TV, Dennis Carvalho repete em ‘Insensato Coração’ a parceria de ‘Paraíso Tropical’, última vez que levou às telas um texto dos autores Gilberto Braga e Ricardo Linhares.

Dennis começou sua carreira como ator aos 12 anos de idade, atuando na novela ‘Oliver Twist’, uma adaptação do livro de Charles Dickens. A história foi exibida na TV Paulista, onde trabalhou durante anos, inclusive como dublador. Era dele a voz do Cabo Rusty do seriado ‘Rin-tin-tin’!

Na Rede Globo, são quase 30 novelas, atuando, dirigindo ou exercendo as duas funções ao mesmo tempo. A primeira delas foi ‘Pecado Capital’, em 1975, quando interpretou o personagem Nélio Porto Rico. Já a estreia como diretor foi em 1977, na produção ‘Sem Lenço, Sem Documento’. Dennis dirigiu 18 novelas, seis minisséries, três seriados e outros tantos episódios de ‘Você Decide’ e ‘Caso Especial’, além de musicais e do programa ‘Video Show’.

Fora da TV, Dennis atuou no cinema e no teatro. A primeira peça foi em 1969, ‘Hair’. Na década de 80, sua atuação chamou a atenção dos críticos na peça ‘Campeões do Mundo’, de Dias Gomes. No cinema, trabalhou em longas como ‘Elas’, ‘Ninguém segura essas mulheres’, ‘Beijo na Boca’, ‘A Partilha’ e ‘Se Eu Fosse Você’.

Insensato Coração tem um ritmo intenso, com muitos acontecimentos que podem mudar totalmente o rumo da trama em diferentes momentos. Como é o trabalho de direção numa obra como essa?

Dennis Carvalho: A direção precisa seguir o compasso da história. Nesta novela, especialmente, há sequências muito interessantes de cenas de ação, como as que foram gravadas em aviões e serão exibidas logo na primeira semana. Para dar o peso exato de cada linha escrita pelos autores, lançamos mão de diferentes recursos que nos ajudam a envolver e emocionar o público. A escolha das locações, por exemplo, é um dos pontos de partida para imprimir o tom e o ritmo exatos do texto. Logo nas tramas iniciais, optamos por gravar em mais de um aeroporto, para chegar bem perto do universo da aviação, que faz parte da realidade do nosso protagonista, vivido por Eriberto Leão.

A escalação do elenco certamente é um dos momentos mais importantes no processo de produção de uma novela. Como é a sua parceria com os autores Gilberto Braga e Ricardo Linhares, que escrevem muitos personagens já pensando em atores específicos?

Dennis Carvalho: A minha parceria com o Gilberto nasceu faz tempo e, depois de vários trabalhos juntos, conseguimos atingir um ponto bastante interessante de sintonia, afinidade e concordância nas decisões. Com a chegada do Ricardo, a relação de mútua confiança continuou sendo fundamental para que as sugestões feitas por um dos lados sejam acatadas de forma consciente e ajustada a um propósito comum, que é sempre o melhor resultado para a novela. Fazemos parte de um único time e nos conhecemos o suficiente para seguir por este ou aquele caminho, e isso inclui até mesmo as propostas mais ousadas, como no caso das apostas em novos atores. 

Você está reencontrando atores que se tornaram amigos fora das telas. Como é o desafio de não repetir a composição de personagem quando você dirige profissionais com os quais já trabalhou?

Dennis Carvalho: O desafio de compor um novo personagem deve sempre existir, seja para o ator, para o autor ou para o diretor. Aliás, esse é um dos combustíveis desta engrenagem, uma das etapas mais prazerosas de um trabalho desta natureza. Em relação aos atores com os quais já tive a felicidade de trabalhar mais de uma vez, como Glória Pires, Antonio Fagundes e Deborah Evelyn, a experiência e o talento fazem com que essa barreira não exista. Mesmo que eu esteja reencontrando muitos atores pela segunda, terceira, quarta...vez, partimos do zero na hora de trazer para o set um novo personagem, usando a nosso favor o fato de nos conhecermos profundamente.         

Você já assinou trabalhos de muito sucesso. Isso aumenta a pressão na hora de começar uma nova novela?

Dennis Carvalho: Eu acredito que seja natural essa exigência por um resultado de qualidade, afinal eu mesmo zelo muito por isso. No meu dia a dia, tento colocar em prática, obviamente com o apoio e a parceria de toda a minha equipe, tudo o que aprendi com a experiência dos anos de trabalho, seja como ator ou diretor, pois são atividades que, para mim, ser tornaram complementares. É muito bom saber que o público – ou mesmo a direção da emissora – tenha boas expectativas em relação ao que está por vir. É pensando no telespectador e em dar corpo e forma a boas histórias que concentramos os nossos esforços.

A Rede Globo adquiriu um avião cenográfico especialmente para a gravação das primeiras cenas da novela, quando o casal protagonista, Marina e Pedro, se conhece. Como foram as gravações neste cenário?

Dennis Carvalho: Foi uma ousadia a compra deste novo cenário. Agora podemos ter cenas ambientadas em aviões com a facilidade de gravar num local onde há espaço e estrutura para o melhor posicionamento de câmeras, iluminação e figuração... Podemos dispor do cenário exatamente como queremos ou precisamos; isso significa que é possível transformar o local num avião de luxo apenas com a interferência das equipes de cenografia e produção de arte. O avião-cenário é bem maior do que um avião real – apesar de guardar as mesmas proporções - e isso melhora sensivelmente as condições de trabalho dentro do local.  

Importantes acontecimentos dos primeiros 60 capítulos são ambientados em Florianópolis. Vocês começaram as gravações da novela na capital catarinense. Qual é o balanço que você faz desta viagem?

Dennis Carvalho: É muito valioso poder viver a realidade do local que serve como inspiração para uma história. Tudo que aprendemos durante o tempo em que estivemos por lá poderá ser trazido para a novela, e isso também se aplica às equipes de produção e aos atores, que conviveram com a população da região. A cenografia, por exemplo, conseguirá criar os cenários do núcleo catarinense com muito mais fidelidade. Isso também vale para a produção de arte, o figurino e a caracterização dos personagens. Além disso, Florianópolis é um lugar lindíssimo, com paisagens e locações que darão um toque especial às cenas. Eu fiquei muito feliz com o resultado do trabalho realizado na ilha.

O que você pode contar sobre a trilha sonora?

Dennis Carvalho: Que a abertura será com a cantora Maria Rita e que teremos nomes como Maria Betânia, Elis Regina, Caetano Veloso, Renato Russo e Mart´nália, entre outros...
Entrevista com os autores Gilberto Braga e Ricardo Linhares

Gilberto Braga

Antes de ser autor de novelas, Gilberto foi professor de francês e crítico de teatro do jornal O Globo. Ele estreou na TV Globo em 1973, com uma adaptação para o programa ‘Caso Especial’. Depois disso, passou a escrever alguns episódios, com destaque para ‘As Praias Desertas’.

A experiência pioneira como autor de novelas foi em 1974 com ‘Corrida do Ouro’, que escreveu em parceria com Lauro César Muniz. Em seguida, vieram algumas adaptações de obras da literatura brasileira, como ‘Helena’, ‘Senhora’ e seu grande sucesso ‘Escrava Isaura’.    

‘Dona Xepa’, ‘Dancin’ Days’, ‘Água Viva’, ‘Brilhante’, ‘Louco Amor’, ‘Corpo a Corpo’, ‘Vale Tudo’, ‘Celebridade’ foram algumas das obras marcantes de Gilberto. As minisséries também fazem parte de seu histórico. A primeira delas nasceu em 1986 e foi batizada como ‘Anos Dourados’. Depois vieram ‘Anos Rebeldes’, ‘O Primo Basílio’, ‘Labirinto’ e tantas outras com sua marca registrada: a crítica social e política.

Sua última obra para a TV, ‘Paraíso Tropical’, exibida em 2007, também foi escrita em co-autoria com Ricardo Linhares, seu atual parceiro em ‘Insensato Coração’. A dupla formou-se em 1991, quando Ricardo trabalhou como um dos colaboradores de Gilberto na novela ‘O Dono do Mundo’. 

Não é a primeira vez que você trabalha com o diretor Dennis Carvalho. O que o levou a repetir essa dobradinha?

Gilberto Braga: Eu trabalho com o Dennis desde a novela ‘Corpo a Corpo’. Não conto ‘Dancin' days’ porque ele dirigiu junto com José Carlos Pieri e Marcos Paulo, e nós não tivemos muito contato ao longo da produção. A partir de 1985, sim, formamos uma parceria muito bem sucedida. Nós nos gostamos, nos admiramos, não competimos um com o outro... e nunca nos perguntamos quem manda mais, como às vezes acontece em trabalhos que envolvem criação. Tudo é resolvido em comum acordo e tem dado certo. Na escalação, por exemplo, se o Dennis quer um ator e eu quero outro, partimos para um terceiro. Felizmente, em geral, queremos os mesmos atores, porque temos gostos parecidos.

Normalmente como acontece a construção da sinopse? Como nascem os personagens?

Gilberto Braga: A gente (autores e colaboradores) fica conversando, falando de tudo, de todas as coisas. As histórias vão nascendo e todos contribuem. Mas o personagem só existe mesmo quando começamos a escrever os capítulos. Muitas vezes o personagem surge no diálogo.

Durante a exibição da novela, como é o seu relacionamento com a direção e o elenco? Você divide suas impressões, opiniões, orientações e sugestões com os atores? Como isso acontece?

Gilberto Braga: Eu não falo com os atores. Acho que o ator deve conversar com o diretor. Meu contato é com o Dennis. Tenho sugestões a fazer a toda a equipe que realiza a novela, mas faço-as através do Dennis.

Existe um ritmo ideal para contar uma história? Como você explica a dinâmica de ‘Insensato Coração’?

Gilberto Braga: Cada história tem seu ritmo. O de ‘Insensato Coração’ não é acelerado demais, mas trabalhamos com muitos acontecimentos. É preciso ter intuição para contar com clareza e charme, sem sair atropelando as tramas e a própria história.

Quais são os pontos mais e menos prazerosos de se escrever uma novela para televisão?

Gilberto Braga: O mais prazeroso, acho, é ver os personagens surgirem, irem tomando corpo. O mais penoso é a pressão do tempo... ter de escrever um capítulo por dia não é nada fácil!

Você também participa da escolha da trilha sonora. Quais são suas inspirações?

Gilberto Braga: Eu gosto de escrever pensando nas músicas e o Dennis também. Ele, inclusive, coloca música para gravar no estúdio. Por isso eu trabalho colado aos produtores musicais.

Você empresta para seus personagens histórias e experiências particulares?

Gilberto Braga: Claro. Nos personagens vão histórias que eu vivi, que eu vi e outras que eu invento.

Por que o título Insensato Coração?

Gilberto Braga: Porque nos parece bonito, e homenageia o grande Dorival Caymmi.

As relações familiares estão em foco. Foi a partir disso que a história foi desenvolvida?

Gilberto Braga: Não. Nós fomos criando as histórias e de repente nos demos conta de que estávamos falando mais de relações familiares do que de outras coisas.

É possível afirmar que ‘Insensato Coração’ mostra algumas das mazelas sociais dos dias de hoje?

Gilberto Braga: A intenção é esta sim, retratar a realidade, entretendo o público.

De onde veio a inspiração para criar um protagonista piloto? E o universo do design?

Gilberto Braga: Inspiração não se explica, acontece!

Marina não me parece uma mocinha tradicional, daquelas politicamente corretas. Ela é uma mulher apaixonada, mas não deixa de ser firme. O que esta mocinha tem de especial?

Gilberto Braga: A resposta está embutida na pergunta. Marina é especial porque é apaixonada e firme.
Ricardo Linhares

Ricardo Linhares começou a escrever para o teatro com uns 15 anos de idade. Aos 19, foi trabalhar na televisão como roteirista de programas didáticos. Chegou à Globo em 1983, aos 21 anos, para trabalhar no ‘Caso Verdade’ e, posteriormente, no ‘Viva o Gordo’. Formado em Jornalismo, Ricardo sempre pensou em ser escritor, por isso participou de concursos literário, sendo premiado em alguns deles. Depois disso, nunca mais parou.

O primeiro trabalho como colaborador veio em 1984, na minissérie ‘A Máfia no Brasil’, uma adaptação do livro de Edson Magalhães. A sua primeira novela, ainda como colaborador, foi ‘O Outro’, de Aguinaldo Silva, em 1987. Após dois anos, veio ‘Tieta’, de uma parceria firmada com Aguinaldo Silva e Ana Maria Moretzsohn. Em 1990, escreveu ‘Lua Cheia de Amor’ em co-autoria com Ana Maria Moretzsohn e Maria Carmen Barbosa.

Em 1998, Ricardo Linhares assinou sozinho a novela ‘Meu Bem Querer’. A sua segunda obra foi ‘Agora É Que São Elas’, exibida em 2003. No ano seguinte, passou a integrar a equipe de colaboradores de ‘Celebridade’, trama escrita por Gilberto Braga. O sucesso desta parceria levou os dois a trabalharem em co-autoria na novela ‘Paraíso Tropical’, em 2007. Em seu currículo estão 14 novelas, como colaborador, co-autor e autor titular, além de minisséries e programas especiais.

Qual é a importância dos novos atores nessa novela?

Ricardo Linhares: É fundamental lançar novos atores, apostar em novos rostos, descobrir talentos. É assim que renovamos os elencos e levamos novidades ao público. Desta novela, destaco Bruna Linzmeyer e Giovanna Lancellotti, que vivem as irmãs Leila e Cecília, respectivamente. São duas atrizes jovens e muito talentosas, que viverão personagens difíceis.

Insensato Coração traz uma grande história de amor. Quais são os pontos fortes deste romance?

Ricardo Linhares: Eu sou fã de histórias de amor, das clássicas, como "Morro dos Ventos Uivantes", às modernas, tipo "Uma linda mulher". Como espectador, eu me emociono e me envolvo com as tramas românticas de novelas, filmes e livros. Procuro levar esse deleite para as obras que escrevo. Eu não tenho pudor, curto folhetim, melodrama, ações operísticas, dilemas dramáticos. Gosto de criar peripécias, desvios e obstáculos a unir e separar os casais. Como o próprio título entrega, esta história é sobre as escolhas amorosas, que definem a vida das pessoas, e a dificuldade de amar, juntamente com os relacionamentos familiares. Mas, no fundo, não é tudo sobre o amor? Há uma clássica história de amor entre Pedro e Marina. Uma paixão avassaladora que irrompe em meio a um iminente desastre aéreo, no primeiro capítulo. É a ação operística a que eu me referi. Enquanto luta para salvar suas vidas, o casal se conhece e se apaixona. Esse amor terá de enfrentar inúmeros obstáculos ao longo dos capítulos até a sua concretização.

Você e o Gilberto formam uma dupla de sucesso. Qual é o segredo desta parceria?

Ricardo Linhares: Eu não sei analisar. Novela é uma carga de trabalho pesada. Se for possível dividir com quem eu respeito e admiro, a estiva fica mais prazerosa. Gosto da parceria. O processo de criação rende mais. As reuniões são divertidas; nós conversamos, rimos, trocamos experiências de vida e profissional. Em dupla, é necessário ter respeito e generosidade entre os dois. Nas novelas que escrevemos nunca houve briga, desentendimento ou vaidade, e sim cumplicidade e soma. Nossa parceria é a soma das nossas características. Em muitos aspectos, nós nos completamos; em outros, nossas diferenças produzem o equilíbrio. Há amizade, respeito, liberdade e bom humor. Nosso método de trabalho é leve e divertido, apesar de muito puxado. Afinal, numa novela temos que matar dez leões por dia para rechear o capítulo de emoção e novidades. Gilberto é generoso, um professor. Escrever novela é uma tarefa difícil. Fazê-lo a quatro mãos é ainda mais interessante. Temos uma excelente equipe: Angela Carneiro, Fernando Rebelo, Izabel de Oliveira, João Ximenes Braga, Maria Helena Nascimento e Nelson Nadotti. 

Por que vocês escolherem o Horto para ser o cenário de parte da trama?

Ricardo Linhares:
Em todas as novelas que escrevi, sempre há um bairro ou localidade que reúne um núcleo grande de personagens. Funciona como a pracinha das novelas que se passam no interior. Para esta novela, procuramos o equivalente ao Edifício Copamar, de ‘Paraíso Tropical’. A escolha foi curiosa. Eu fui jantar num restaurante japonês que fica numa fronteira meio indefinida entre Horto e Jardim Botânico. Perto, num bar, havia um grupo tocando samba na calçada. Tive a idéia de localizar o núcleo popular na região e o Gilberto topou. O Horto tem características de cidade do interior, uma arquitetura diferenciada, casario antigo, que está sendo reproduzido na cidade cenográfica. É um bairro aconchegante e simpático. 

Você gosta de assistir às novelas?

Ricardo Linhares: Eu sou noveleiro. Cresci assistindo às novelas e curto o gênero, como espectador, independente de escrever folhetins. Eu procuro acompanhar as produções que estão no ar. Não assisto a todos os capítulos, porque não tenho tempo. Mas tento alternar, um dia vejo o capítulo de uma novela, outro dia vejo de outra, e também acompanho pelos jornais e pela internet em que pé estão as tramas. Assisto a todos os capítulos das minhas novelas, diariamente. Não perco um. Gosto de assisti-las no momento em que vão ao ar, junto com o grande público. Não sei bem explicar a razão, mas sinto que a novela fica "mais quente". Raramente assisto ao capítulo gravado.  

Qual é a sua principal motivação para ser autor de novelas?

Ricardo Linhares: Eu era espectador de novelas, antes de me tornar novelista. Curto a obra aberta, que vai sendo escrita na medida em que vai ao ar. Escrever novela é trabalhar, trabalhar e trabalhar. É uma estiva árdua, absorvente. Com novela no ar, trabalho por volta de 14 horas por dia, de domingo a domingo. É fundamental ter disciplina e, principalmente, gostar do que se faz. É uma profissão complexa, mas nada na vida é simples. Há uma soma de fatores que torna o ofício muito atrativo. Poucos escritores conseguem viver da literatura no Brasil. Na televisão, isso é possível. É muito bom ganhar a vida fazendo o que se gosta. Há o sacrifício da vida pessoal, mas há a recompensa da realização profissional. Fico feliz quando, anonimamente, ouço o público comentando a trama ou os personagens de uma novela minha. Certa vez, por exemplo, ouvi mulheres numa mesa de restaurante discutindo a relação entre Bebel e Olavo, em "Paraíso Tropical", com a maior intimidade, como se os personagens fossem amigos íntimos delas. Esse é um dos grandes momentos de prazer para um escritor.
Perfil dos personagens
Família Brandão e os núcleos do sul do país

Raul Brandão (Antônio Fagundes) – Raul é um bom homem e sempre viveu para a família. Nascido e criado em Santa Catarina, assim como sua mulher e seus filhos, estabeleceu-se em Florianópolis e lá prosperou como empresário do ramo de Marketing, resultado de muito estudo e empenho. Amoroso e ético com os filhos, cobra responsabilidade de Léo, o mais velho, insistindo em que se mire no exemplo do caçula, Pedro.

Wanda Brandão (Natália do Vale) – Mulher de Raul, mãe de Léo e Pedro. Garota de classe média baixa na periferia de Florianópolis, subiu uns dois degraus quando se casou com Raul. Sempre foi uma bonita mulher e continua sendo interessante e vaidosa, mas, após o casamento, tornou-se um tanto fútil. Ama verdadeiramente os filhos e, como consequência disso, releva certas atitudes de Léo.

Léo (Gabriel Braga Nunes) - Ele quer melhorar de vida a qualquer preço. Acredita que precisa ter dinheiro para conseguir o reconhecimento e o amor do pai e daí vem a grande dificuldade de relacionamento entre eles. Entrou na academia de formação de pilotos junto com Pedro, mas, como não gosta de nada que exija esforço, logo desistiu da carreira. Léo se dá bem com o irmão, apesar de invejá-lo.

Pedro Brandão (Eriberto Leão) - Franco, honesto, Pedro é um homem de coração aberto. Um filho que se entende à perfeição com o pai, preocupado e carinhoso com a mãe, e o primeiro a defender o irmão Léo sempre que necessário – sem desconfiar do recalque dissimulado que Léo carrega contra ele. É um excelente piloto e longe da aviação sua vida ficaria sem sentido.

Luciana Alencar (Fernanda Machado) - Noiva de Pedro, foi sua namorada desde a adolescência. Irmã de Eunice e filha de Zuleica. É de uma família de classe média, natural de Santa Catarina. Era a melhor amiga de Marina na faculdade. É doce e frágil, sem muita personalidade.

Eunice Alencar Machado (Deborah Evelyn) - É de uma família de classe média modesta. Ama verdadeiramente a única irmã, Luciana, noiva de Pedro. Sonha em ascender socialmente e tem atitudes motivadas pela inveja e mesquinharia. Casada com Júlio e mãe de duas jovens, mora em Florianópolis, mas está louca para trocar a província pelo Rio de Janeiro.

Júlio Machado (Marcelo Valle) - Marido de Eunice, pai de Leila e Cecília. Em Florianópolis, trabalha na firma de Raul, encarregado da parte administrativa da empresa. Assim como a esposa, age de forma dissimulada e deixa a inveja falar mais alto em muitas situações.

Leila Machado (Bruna Linzmeyer) - Filha mais velha do casal Eunice e Júlio. Mesmo sem muito esforço, é uma jovem muito sedutora. Tem personalidade forte, é obstinada e batalhadora. Ela não concorda com os interesses da mãe, que só pensa em ascender socialmente.

Cecília Machado (Giovanna Lancelotti) - Filha mais nova do casal Eunice e Júlio. Romântica, a jovem faz de tudo para não desagradar aos pais. Tenta sempre agir de forma conciliadora em casa. É amiga e cúmplice da irmã Leila, a quem admira. As duas vivem uma bela relação fraternal.

Zuleica Alencar (Bete Mendes) - Mãe de Luciana e Eunice. Ponderada, generosa e compreensiva, é uma mãe amorosa, que dá valor à harmonia familiar. Zuleica é viúva e está sempre próxima às netas, de quem é muito amiga. Funciona como ponto de equilíbrio em casa. A mãe de Zuleica era irmã da mãe de Wanda, o que torna Zuleica parenta de Raul, Pedro e Léo por afinidade.
 
Umberto Brandão (José Wilker)
- Irmão de Raul. Tem um pé na marginalidade. Perdeu o contato com a família faz tempo. Trabalha em Montevidéu como doleiro. É um homem sedutor e esperto.

Floriano Brandão (José Augusto Branco) - Primo de Raul. Mora em Porto Alegre, onde tem uma fábrica de cerâmica. É casado com Olga e pai de Irene e Nando. É o chefe de uma família unida e ajustada.

Olga Brandão (Norma Blum) - Mulher de Floriano. É uma pessoa equilibrada, generosa e ponderada.

Nando Brandão (Pedro Garcia) - Filho de Floriano e Olga. Desde garoto, é grande amigo do primo Pedro. Nando tem um ótimo caráter.

Irene Brandão (Fernanda Paes Leme) - Filha de criação de Floriano e Olga. Juvenil e sedutora, tem uma queda obsessiva por Pedro, que não corresponde.

Tia Neném/Anita Brandão (Ana Lúcia Torre) – Tia de Raul, vive em Florianópolis. Por hábito, prazer e rancor, faz mexericos da família, com péssimas consequências. Recebe uma ajuda financeira de Raul para complementar a parca aposentadoria de professora.
Família Drumond

Vitória Drumond (Nathalia Thimberg) – Viúva, milionária, dona de uma holding que inclui uma cadeia de shopping centers. Dona de personalidade moderna, é elegante e tem um caráter admirável. Depois da viuvez, ficou à frente dos negócios. Perdeu os filhos num acidente e é muito amiga das netas Marina e Bibi. As três formam um pequeno núcleo familiar pleno de afetividade.

Marina Drumond (Paola Oliveira) - Neta de Vitória. Educada pela avó depois da morte dos pais num acidente, cresceu decidida, segura e bem-humorada. Não joga para perder. Voluntariosa, acostumou-se a conseguir tudo o que deseja. Tem na prima Bibi sua carinhosa e bem humorada confidente, e é também muito amiga de Carol.

Bibi/Abigail Castelani (Maria Clara Gueiros) - Neta de Vitória. É leve, divertida, ousada e cheia de personalidade – como pode ser notado em seu figurino. Está sempre cercada por bonitões, muitos deles atraído pelo dinheiro. Mas Bibi é esperta, muito esperta.

Milton Castelani (José de Abreu) - Pai de Bibi. É o genro que Vitória nunca desejou ter. A mãe de Bibi morreu no mesmo acidente dos pais de Marina e, sem dinheiro, Milton vive atrás da filha para pedir ajuda. Sem chegar a ser mau-caráter, é levemente patético. É um homem conhecido e simpático. Megalômano, já fez de tudo, mas nenhuma de suas atividades lhe deu dinheiro.
Mansão de Vitória

Ismael Cunha (Juliano Cazare) – É motorista de Vitória. Teve uma infância pobre e esconde segredos que serão revelados no decorrer da história. É um homem sem moral ou ética, mas sabe dissimular quando lhe convém.

Isidoro Brito (Antonio Fragoso) – Copeiro-chefe da casa de Vitória. Trabalha há anos para a família Drumond. É leal e confiável, querido por todos. Participa, com discrição, dos problemas familiares. É simpático e bem-humorado. Sobrinho de Sueli e Jonas, foi ele quem indicou Jonas para trabalhar como segurança.

Sueli Brito Aboim (Louise Cardoso) – Mãe de Eduardo e tia de Isidoro, é forte, batalhadora e bem-humorada. Perdeu o marido e teve que sustentar o filho sozinha. Ela é dona de um quiosque localizado na praia de Copacabana. Irmã de Jonas, o ex-empregado de Vitória que passou anos na cadeia, é a única que acredita na inocência dele.

Eduardo Aboim (Rodrigo Andrade) - Filho de Sueli. Formado em Marketing, sofre com o desemprego. Inteligente, responsável e competente, Eduardo é muito amigo da mãe.

Xicão Madureira (Wendel Bendelack) - Atendente do quiosque de Sueli. Fofoqueiro, mas gente boa, é ele quem segura a onda quando Sueli se ausenta do trabalho.

Jonas Brito (Tucá Andrada) – Irmão de Sueli. Trabalhava numa firma de segurança até ser contratado por Vitória, por indicação de Isidoro.

Mais novidades em www.redeglobo.com.br e @rede_globo

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