Clandestinos - o sonho começou

 Esta é uma história “sobre esses moços e moças que sonham nessa cidade esse sonho de ser artista”. A fala de um dos personagens da série apresenta com propriedade o tema do programa que vai além da arte e fala a todos da jornada seguida pela juventude em busca de seus objetivos. A história surgiu quando João Falcão escutava relatos de jovens que buscavam em um teste para o teatro o ponto de partida para o sucesso. A peça virou sucesso de público e crítica, ganhou os prêmios APTR (Associação dos Produtores de Teatro do Rio de Janeiro) de melhor autor, Qualidade Brasil de melhor direção em comédia e agora ganha adaptação para a TV .

A atração semanal de sete capítulos estreia dia 04 de novembro e vai ao ar todas as quintas-feiras, logo após ‘A Grande Família’, com texto de João Falcão, que assina também a direção-geral, direção de Flavia Lacerda e direção de núcleo de Guel Arraes.

Depois de contar suas histórias em uma trajetória de sucesso no teatro, o mesmo grupo de atores foi escolhido por João Falcão para a adaptação em TV. “Eu queria pessoas que estivessem representando algo que eles estariam vivendo de verdade”, explica João. Embora estreantes em televisão, a diretora Flávia Lacerda garante que não houve dificuldades na hora das gravações: “Eles são excelentes atores, o que torna mais fácil o ajuste para a mídia televisiva. Até porque eles já tinham essa longa vivência dos personagens”, garante.

Ao contrário do processo tradicional de criação de um roteiro, em 2008, João Falcão decidiu compor seu enredo a partir dos personagens. Foi então que publicou na internet um chamado para um teste de seleção de elenco para jovens de 18 a 28 anos. Em resposta, centenas compareceram ao teste e, após ter o elenco escolhido, as histórias foram escritas com base na entrevista e convívio com os rapazes e moças, dando então origem a ‘Clandestinos - o sonho começou’.

 A partir daqui, realidade e ficção se confundem, assim como criatura e criador. A partir de suas experiências de vida, seus medos, pontos fortes e fracos de cada candidato, os atores trouxeram aspectos únicos para seus papéis. As dificuldades de montagens de uma peça, orçamento, dilemas de diretor/autor e produtores são também exibidos de uma maneira divertida e poética. A montagem apresenta os personagens de maneira dinâmica, utilizando-se do artifício do flashback para desenhar por completo o perfil de cada um deles.

Os personagens levam o mesmo nome dos atores que os interpretam, deixando ainda mais tênue a definição do que é real e ficcional na série. Para apresentá-los, cenógrafa, figurinista e caracterizadora trabalharam juntos com João Falcão e Flavia Lacerda para desenvolver artifícios que distinguissem a história de cada um deles de uma forma criativa, inovadora e bem humorada.

À procura de uma história

Fábio (Fábio Enriquez) é autor e diretor de teatro e resolve fazer um teste de elenco para sua próxima peça. Sem história, orçamento ou um planejamento, ele publica uma convocação para audições na internet. O chamado acaba surtindo um efeito melhor do que o esperado: um mar de gente formando uma fila na porta do teatro na hora do teste. Jovem muito sonhador e idealista, Fábio (Fábio Enriquez) conta com sua fiel assistente e produtora, Elisa (Elisa Pinheiro), para ajudá-lo a tomar decisões e organizar suas ideias. Como os dois já viveram um romance no passado, suspeita-se que a motivação do convite seja mais do que profissional.

Os candidatos ao teste são verdadeiros personagens de mundos muito diferentes, mas com algumas semelhanças: jovens que acreditam no seu talento e alimentam o mesmo sonho de viver da sua arte.
  
A história destes moços e moças

Já na fila formada à porta do teatro, é possível conhecer um pouco mais sobre a história de cada um dos candidatos. Eduardo (Eduardo Landim), por exemplo, tem 17 anos e foi criado por sua avó, que é a sua maior preciosidade e está muito doente. Persistente, busca uma saída para os papéis estigmatizados para negros para os quais ele sempre foi escolhido, desde a época de teatrinho da escola.

A mineira Adelaide (Adelaide de Castro) vem de uma família humilde. Saiu de Três Rios com o dinheiro contado apenas para fazer o teste no Rio de Janeiro. Dotada de um olhar romântico em relação à cidade, tem a certeza que vai esbarrar com Fábio Assunção assim que pisar lá. Já as gêmeas Giselle (Giselle Batista) e Michelle (Michelle Batista) enfrentam um dilema de querer conquistar carreiras independentes e deixarem assim de ser “a mesma pessoa”. Conhecidas pelo papel que interpretaram em ‘Malhação’ como irmãs gêmeas, já tentaram ser diferentes, mas quanto mais tentam se distanciar, mais sucesso fazem juntas.

Ao longo dos episódios, serão mostradas outras realidades. Como a de Junior (Junior Vieira), jovem ator negro, filho de diplomata. Viveu muito pouco no Brasil, mas deseja interpretar um verdadeiro bandido em cena e vai convencer Fábio (Fábio Enriquez)  de seu talento de uma forma bem convincente. Já a nordestina não assumida Chandelly (Chandelly Braz) vem para o Rio sonhando com o sucesso e acredita que só aprendendo o sotaque carioca vai conseguir seu espaço como atriz. Ela trabalha em uma lanchonete onde conhece Edmilson (Bruno Heitor). Ele se apaixona pela moça de Olinda e vai fazer de tudo para realizar seu desejo, até ensiná-la a falar “carioquês”.

Fábio (Fábio Enriquez)  consegue reunir também pessoas com os mais diversos talentos, como é o caso de Marcela (Marcela Coelho). Do interior de Minas, ela saiu de casa para estudar teatro e seu forte está nos musicais. O mesmo vale para o baiano “branquinho”, Emiliano (Emiliano D´Ávila), que é fã de Daniela Mercury e sabe dançar axé, jogar capoeira e mexer com as mulheres como ninguém.

Encontros inesperados

A cada teste, Fabio fica mais ansioso por novos relatos de vida e Elisa (Elisa Pinheiro) mais aliviada pela previsão de fim das audições. Para surpresa do diretor, alguns personagens de seu passado responderão à convocação de elenco. Um deles é Hugo (Hugo Leão), amigo com quem contracenou no teatro na época de escola, em Brasília, e de quem acababou se afastando por motivos que ele prefere não revelar.

Fábio (Fábio Enriquez)  também irá rever uma ex-namorada da época de faculdade, Nanda (Nanda Costa). A ideia de fazer uma peça sobre atores iniciantes foi compartilhada com ela, no passado, mas ficou esquecida a partir do momento em que ela passou em um teste para televisão que acabou separando o casal. A presença da atriz irá abalar o diretor e instigar o ciúme de Elisa (Elisa Pinheiro).

Outra surpresa será o reaparecimento de Luana (Luana Martau), que foi apresentadora mirim de um programa de TV quando tinha 11 anos e dividia o palco com alguns meninos, um deles era o Fábio (Fábio Enriquez). Desequilibrada, ela culpa-o pelo declínio de sua carreira que começou no dia em que ele recusou o convite para ser seu par, ao vivo, no programa infantil. Convicta que este é o motivo de seu fracasso, ela retorna para cobrar dele um papel que vai trazê-la de volta aos holofotes, e usará de métodos nada convencionais para convencê-lo a cumprir seu desejo.
  
Os últimos serão os primeiros

Outro teste nada convencional será o de Alejandro (Alejandro Claveaux), que se incomoda por, após interpretar um modelo em uma novela, ter ficado estereotipado pelo público. Ele é capaz de fingir ser gago e até mesmo forjar uma amnésia para provar a Fábio (Fábio Enriquez) e Elisa (Elisa Pinheiro) que não é ator de um papel só. Já Renata (Renata Guida) é uma paulistana que veio para o Rio escalada para protagonizar uma novela, mas não chegou a gravar uma cena sequer. Sua vontade é voltar para o teatro alternativo, mas seu pai, um político milionário, utilizará suas facilidades para mudar os planos da filha.

Ao contrário de Renata, Deborah (Deborah Wood) tem o apoio de seu pai para tudo. Ele é o maior incentivador da filha para seguir a carreira de atriz. Contudo, Deborah está cansada de fazer papel de gordinha hilária e sonha em interpretar a mocinha. Em paralelo, um ator em crise comparece ao teste apesar de todas as dificuldades que sua vida impôs à sua profissão. Esse é Pedro (Pedro Gracindo), que, diante da surpresa de uma gravidez não planejada de sua esposa, acabou deixando sua profissão de lado para tornar-se pai e “dona-de-casa” por tempo integral. Com o tempo, ele passa a achar a profissão de médica seguida por sua mulher muito mais importante que a sua, mas ela não vai deixar que ele abandone seus sonhos com tanta facilidade.

Entrevista com o autor e diretor-geral João Falcão

Nascido em Recife, João Falcão traz em seu currículo autorias e direções em teatro, TV e cinema.  Sua primeira colaboração para TV Globo foi em 1995, quando entrou para a equipe de redatores de Guel Arraes, estreando a parceria no programa ‘A Comédia da Vida Privada’. Os projetos seguintes foram a adaptação da primeira microssérie da TV brasileira, ‘O Auto da Compadecida’, a criação dos programas ‘Sexo Frágil’, ‘Papo de Anjo’ e ‘Programa Novo’.  No cinema, roteirizou ‘O Coronel e o Lobisomem’, ‘A Máquina’ e ‘Fica Comigo Esta Noite’, estes dois últimos também dirigidos por ele.

Os projetos no teatro são vastos, sendo alguns deles o monólogo ‘Uma Noite na Lua’, protagonizado por Marco Nanini, ‘Quem Tem Medo de Virgínia Woolf’ e ‘A Dona da História’.

Em ‘Clandestinos’, assim como em alguns outros de seus textos (‘A Máquina’, por exemplo), observamos a presença de atores iniciantes que vivem em cidades do interior e sonham com o sucesso em uma grande cidade. A sua trajetória serve de inspiração para a criação destes personagens?
João Falcão: Sim, diretamente. Minha trajetória não só me motivou a contar estas histórias como estes personagens tem muito do que eu vivi, de certa maneira. Quando eu coloquei a chamada no site, eu queria escutar as histórias de cada um, queria saber quem eram e de onde de viriam essas pessoas que atenderiam a um chamado desses. Que histórias teriam para me contar?

Por que a escolha de atores anônimos para viver estes personagens? Não era muito arriscado?
João Falcão: Ah, mas esse risco era o que tinha de melhor. E não teria outro jeito, porque só esses atores anônimos teriam essa experiência viva ainda. Se fossem conhecidos, já estariam em outro contexto. E eu queria que as pessoas tivessem entre 18 e 28 anos, porque depois dos 28 anos, se você ainda não aconteceu nessa profissão de ator, as pessoas já pensam: “será que não é melhor eu garantir outra carreira?”. Nessa idade, pela minha experiência e de pessoas que eu conheço, é uma faixa que as pessoas investem muito nelas.

Os jovens atores do programa estão aos poucos conquistando os sonhos que tanto eles quanto seus personagens tinham em comum lá trás, na montagem da peça. Você imaginou que esta história protagonizada por atores inexperientes poderia conduzi-los ao sucesso?
João Falcão: O sucesso sim. Quando eu os escolhi, sabia que cada um tinha um talento muito forte. E foram muitos testes, tinha até muito mais gente talentosa do que eu escolhi. Então eu imaginei sim que eles fossem fazer sucesso, não necessariamente com esse texto, mas em outras peças, programas ou filmes.

Você optou por manter o elenco da peça para esta adaptação para a TV, submetendo os 14 atores a uma oficina televisiva, preparando-os para o novo formato. Como foi este processo de preparação?
João Falcão: Foi muito natural, porque eu convivo com eles há dois anos, pela amizade que temos e por nos conhecermos muito bem. Foi tão divertido, que a dificuldade natural era a que você teria em qualquer oficina do tipo. Não exatamente por eles serem jovens de teatro, mas dificuldades naturais de qualquer aprendizado.

Além do elenco, quais adaptações precisaram ser feitas para adaptar ‘Clandestinos’ para a TV?
João Falcão: A peça se passa na cabeça do autor. A criação de personagens a apartir da cabeça dele. É uma idéia que funciona bem no teatro, porém difícil de se enquadrar na televisão. A ideia da peça é quase mágica e a gente queria uma situação mais realista para a série. Foi então que o Guel e o Jorge (Furtado) tiveram a idéia de contar a história a partir da experiência que eu tinha vivenciado durante o processo de seleção dos atores para a peça.

Tem alguma curiosidade a respeito da concepção da peça e da adaptação pra TV?
João Falcão: Acho que a coisa mais curiosa é o fato de estarmos fazendo uma série baseada em fatos reais, que aconteceram durante o processo da seleção de elenco para uma peça – que, por sua vez, também é baseada em fatos reais. Enfim, essa realidade que se completar na ficção.
É um ciclo que acaba chegando na gente mesmo, porque de certa maneira é nossa historia também.

A que você atribui o sucesso desta história?
João Falcão: Acho que é uma boa idéia, é bem realizada. E custou muito trabalho e insistência para convencer nossos parceiros da TV que tínhamos algo diferente, fora dos padrões, mas que era bacana, até porque era diferente. Seguramos por dois anos uma temporada sem um nome conhecido no elenco nem patrocínio. Agora estará em cartaz simultaneamente na TV e no teatro, com o mesmo elenco “desconhecido”. Acho que isso é inédito, é provocador.
O fato de falarmos de sonhos, também causa identificação com o público. A gente não está falando só sobre a classe de atores, mas de aspirações que todo mundo tem em qualquer área que você atue na vida.

Como foi a escolha da trilha sonora?
João Falcão: A trilha sonora foi feita especialmente para o programa. As gravações são originais e foram feitas especialmente para a série, um trabalho em parceria com o Ricco Viana.
  
Os Personagens

Fábio (Fábio Enriquez) – Diretor e autor de teatro. Quer fazer uma peça na qual os personagens são os próprios atores. Sensível, costuma deixar-se levar pela emoção.

Elisa (Elisa Pinheiro) – Produtora e assistente de direção de Fábio. Tem a razão que equilibra o parceiro, organizando suas atitudes e pensamentos.

Adelaide (Adelaide de Castro) – Jovem mineira, saiu de Três Rios para fazer o teste de elenco no Rio de Janeiro. Pelos critérios usados para a ordem dos testes, ela acabou ficando para o segundo dia e, mesmo sem dinheiro e lugar para dormir, a menina se aventura pela cidade para não desistir de seu sonho.

Chandelly (Chandelly Braz) – Nordestina nada convicta. No Rio de Janeiro em busca do sucesso, acredita que seu sotaque pode ser um problema em sua carreira. Trabalha em uma lanchonete, onde conheceu Edmilson.

Edmilson (Bruno Heitor) – Carioca, abre mão de sua profissão de taxista para trabalhar com Chandelly na lanchonete, pois é apaixonado por ela.  Ele será capaz de muito mais do que imagina para realizar o sonho de sua amada.

Emiliano (Emiliano D’Ávila) – Baiano com muito orgulho, fã de Wagner Moura e Daniela Mercury, homem bonito e falador, de corpo escultural. 

Alejandro (Alejandro Claveaux) – Ficou marcado ao interpretar um modelo em uma novela e desde então não conseguiu outro papel. Para conquistar seu lugar no elenco, se passa por gago e finge perder a memória.

Giselle e Michelle (Giselle e Michelle Batista) – Gêmeas idênticas, cansaram de fazer trabalhos juntas, interpretando sempre os mesmos personagens. Lutam para ganhar espaço individualmente, deixando para trás os papéis de relacionadas.

Hugo (Hugo Leão) – Amigo de infância de Fábio. Atuaram juntos, mas acabaram se afastando por motivo ainda desconhecido e só se reencontraram no teste de elenco.

Luana (Luana Martau) – Apresentou um programa infantil quando tinha 11 anos, onde dividia o palco com o Fábio. Viveu uma adolescência complicada, se envolvendo com drogas e bebidas e culpa Fábio por seu fracasso.

Renata (Renata Guida) – Atriz paulistana de teatro que se mudou para o Rio para viver a protagonista de uma novela, mas não chegou a gravar uma cena. Tem o desejo de voltar para o teatro alternativo, mas seu pai, um político rico, acredita que ela só será famosa quando aparecer na televisão.

Eduardo (Eduardo Landim) – Jovem negro de 17 anos e olhos verdes. Foi criado por sua avó e emancipado aos 14 anos. Desde a época de teatrinho da escola já não conseguia fazer papéis que desejava, somente os estereotipados para negros.

Junior (Junior Vieira) – Jovem ator negro. Como é filho de diplomata, viveu muito pouco no Brasil. Sua grande vontade é interpretar um verdadeiro bandido em cena.

Nanda (Nanda Costa) – Fica famosa depois de um papel de destaque em uma novela. Foi namorada de Fábio na faculdade e tiveram a ideia de fazer uma peça sobre atores desconhecidos. No entanto ela acabou passando no teste para a televisão e ele seguiu com o projeto sozinho.

Pedro (Pedro Gracindo) – Ator e músico. Casa com uma médica, com quem tem um filho, mas entra em crise quando começa a achar que a profissão de sua mulher é mais importante do que a sua e deve abrir mão da carreira para cuidar da criança.

Deborah (Deborah Wood) – Moradora de Niterói, conta com o grande apoio de seu pai para seguir na carreira. Está cansada de fazer o papel da gordinha engraçada e sonha em interpretar a mocinha da história.

Marcela (Marcela Coelho) – Saiu de uma pequena cidade mineira chamada Sardoá para estudar teatro. É uma menina muito sonhadora que trabalha num orfanato para se sustentar. Tem o dom de transformar tudo em sua volta em um grande musical.

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