DÓ-RÉ-MI-FÁBRICA

Uma história com elementos brasileiros e sentimentos universais. Um programa que faz um tributo à música e aborda o direito da criança ao sonho. Na quarta-feira, dia 23, após a novela das oito, vai ao ar ‘Dó-Ré-Mi-Fábrica’, especial de final de ano da Rede Globo, com autoria de Péricles Barros, direção de núcleo de Denise Saraceni, direção de Flávia Lacerda e concepção musical de João Falcão. Voltado para o público infantil, o programa conta como a música pode mudar a vida de todos, mas, principalmente, dos protagonistas Tom (Maicom) e Ludovico (Lázaro Ramos). O primeiro vem de uma família pobre, sonha ser artista e tira do lixão municipal parte de seu sustento. Já o segundo é um grande inventor de instrumentos musicais, sócio de seu irmão gêmeo Arquimedes (Lázaro Ramos) numa empresa única, porém, à beira da falência: a Dó-Ré-Mi-Fábrica.



Piano de bolso; Berimbola Elétrica - metade berimbau, metade bola de futebol; AquaSax Tenor, um saxofone que faz concertos sub-aquáticos. Imaginação não falta a Ludovico para produzir instrumentos com sons variados. O único problema é que eles nunca dão lucro. E este é exatamente o motivo das desavenças rotineiras entre os dois irmãos. A secretária Viola (Nathália Dill) ainda tenta apartar as brigas, mas Arquimedes (Lázaro Ramos) bate sempre na mesma tecla: construir uma máquina de ringtones para celular lhe parece um negócio mais rentável. Isto, claro, até o destino pregar mais uma de suas peças.



Um dia, enquanto Tom (Maicom) fazia uma incursão ao lixão, a mais recente criação de Ludovico cai do céu violentamente aos seus pés: a Guitarra de Uma Corda Só. O instrumento único tinha sumido da fábrica misteriosamente e ninguém poderia imaginar a importância que ele teria na vida do menino. Perplexo e encantado, o pequeno logo descobre que poderia tirar sons variados daquele aparelho elétrico e não hesita em tentar seguir carreira artística. A mãe Elizeth (Ana Paula Bouzas) é contra seu desejo, ele passa por dificuldades com o pseudo-empresário Zanata (Chico Diaz), que tenta obrigá-lo a se apresentar em público, mas não há nada que o impeça de perseguir seu sonho. Nem mesmo sua timidez.



É com pânico da platéia que Tom (Maicom) foge de Zanata (Chico Diaz) e tem sua guitarra atropelada. Porém é também neste momento que percebe um endereço estampado no instrumento. E não demora muito para ir até o local pedir ajuda. O menino conversa com o Gramofone (Lenine), desce pela tampa redonda de um bueiro até um andar subterrâneo, abaixo do nível da calçada, onde se localiza a estranha porta da fábrica, e ganha um grande companheiro: Ludovico. Depois deste encontro e de um belo duelo musical, ele e o inventor travam uma verdadeira batalha para convencer Lamartine (Alexandre Nero), gerente do banco, e alguns empresários a investirem na música, no sonho e, claro, na Dó-Ré-Mi-Fábrica.



Cenografia e Produção de Arte



Uma empresa mágica, um lixão municipal e uma cidade que mistura ricos empresários e moradores de uma favela. A diversidade marca os cenários do especial, assinados por Fernando Schmidt e May Martins, com Produção de Arte de Gustavo Feijó. Quem os vê percebe o cuidado e a pesquisa da equipe por trás de cada detalhe.



O universo lúdico e de encantamento da ‘Dó-Ré-Mi-Fábrica’ ganhou uma inspiração retrô e muita cor. Um galpão com colunas revestidas de chapa de aço enferrujada, paredes de tijolos, fiação e tubulação exposta se mistura a uma esteira de instrumentos musicais inusitados, dando o tom dessa realidade fantástica. Tubacleta, Aquafone, Berimbola Elétrica e Guitarra de Uma Corda Só foram aparelhos montados pela equipe e pelo artista plástico Sérgio Marimba. A fábrica parece também ter vida própria e, além dos sons das criações de Ludovico (Lázaro Ramos), faz barulhos bastante peculiares, representados por luzes de show.



Aos olhos do protagonista Tom (Maicom), a música está em todo canto, até mesmo no lixão. E retratar com poesia um ambiente tão duro foi um dos desafios da equipe. As referências saíram de diferentes lugares, como o lixão municipal do Rio de Janeiro, a África e os retratos do fotógrafo Sebastião Salgado. Outro detalhe interessante deste cenário é que todo o material veio de objetos recicláveis coletados dentro da Central Globo de Produção.


A pequena favela e a cidade ao fundo foram ainda construídas em uma escala menor, com pé direito com cerca de 2 metros, para que os morros de lixo parecessem maiores e mais volumosos na visão do menino.



Na rica casa de Arquimedes (Lázaro Ramos), outra curiosidade. Sem amigos, o empresário arruma sozinho e triste uma ceia de natal. E, para marcar bem este momento, as cadeiras da grande mesa do cenário trazem estampadas em seus encostos fotos dos antepassados do rapaz. As imagens são montagens que misturam feições de negros de destaque no Brasil e nos Estados Unidos com traços do Lázaro Ramos. Obama, Ray Charles, Dona Ivone Lara, Joe Jackson, Ella Fitzgerald, Louis Armstrong e Mãe Menininha foram as personalidades escolhidas.



Figurino e Caracterização



Criatividade e fantasia marcam também os figurinos e a caracterização de ‘Dó-Ré-Mi-Fábrica’, assinados pela dupla Gogoia Sampaio e Helena Araújo e por Valéria Toth, respectivamente. Como não poderia deixar de ser, a música é a maior inspiração, mas o visual dos personagens remete também ao passado.



As características de cada personagem estão bem marcadas por roupas e acessórios. Os irmãos Ludovico e Arquimedes (Lázaro Ramos), por exemplo, nasceram gêmeos, mas apresentam perfis bem diferentes. O primeiro, irreverente, ganhou uma peruca com dreadlocks e um guarda-roupa em tons de verde, com casacas e coletes modernos. Já para compor o segundo, empresário sério e conservador, optou-se por cabelos lisos, uma lente de contato esverdeada, ternos e gravatas impecáveis.



Outra personagem com o visual interessante é Viola (Nathália Dill), que recebeu uma peruca ruiva e roupas inspiradas no instrumento que lhe nomeia. O desenho é diferenciado, com a cintura bem marcada e formas bem arredondas, com cores puxando para o marrom e o vermelho.



A forte caracterização dos personagens da Dó-Ré-Mi-Fábrica só se contrapõe à das pessoas do lixão, cujo fio condutor é a simplicidade. A família e os amigos de Tom (Maicom) têm uma palheta de cores entre o cinza e o azul, com um ar de panos gastos. As crianças que se juntam ao protagonista para um belo concerto de natal e criam suas próprias roupas na trama usam um figurino construído com material reciclável.



Entrevista com a diretora de núcleo Denise Saraceni

Primeira mulher a se tornar diretora de núcleo da Rede Globo, Denise Saraceni já trabalhou em 15 novelas, sete minisséries e 17 episódios de séries e casos especiais. Em 1979, estreou na emissora como assistente de produção do seriado ‘Malu Mulher’ e nestes 30 anos já assinou grandes sucessos da teledramaturgia brasileira, como as novelas ‘Fera Radical’ (1988), ‘O Salvador da Pátria’ (1989), ‘Da Cor do Pecado’ (2004) e ‘Belíssima’ (2005) e as minisséries ‘Desejo’ (1990), ‘Memorial de Maria Moura’ (1994), ‘Engraçadinha, seus amores e seus pecados’ (1995), ‘A Muralha’ (2000) e ‘Queridos Amigos’ (2008). No ano passado, dirigiu também o especial ‘O Natal do Menino Imperador’, indicado ao Emmy Internacional Award 2009, e agora assina outro programa para o público infantil: ‘Dó-Ré-Mi-Fábrica’.



Que cuidados são necessários para dialogar com as crianças?



Denise Saraceni: Os especiais infantis permitem maior liberdade artística. Saímos do realismo exigido nos programas de TV e experimentamos um universo lúdico e mágico, descobrindo outra linguagem narrativa. A criança demanda mesmo uma renovação de linguagem, nos desafia e exige sentido e conteúdo voltado para o seu entendimento. E cada idade tem uma possibilidade de compreensão. Até seis anos, adotamos uma prática, de seis a 10, outra, e assim por diante. Este desafio é ainda maior porque fazemos programas para todas as idades. Voltamos agora do encontro do Emmy e fiquei maravilhada com o nível da competição. A produção inglesa levou a estatueta, mas eles têm preocupação e trabalho focados nesse universo há mais de 40 anos. No Brasil temos muito pouca experiência, mas não falta talento.

Dó-Ré-Mi-Fábrica traz um universo lúdico, fantasioso, mas também aborda a dura realidade brasileira com um sopro de esperança. Como está sendo o olhar da direção para contar essa história?



Denise Saraceni: Queremos falar exatamente sobre nós, brasileiros, trazendo um argumento universal. Todas as crianças do mundo merecem sonhar e realizar seus sonhos. Pelo menos terem instrumentos disponíveis como educação e conhecimento para chegar onde vislumbram. Nosso programa fala disso. Flavia Lacerda e eu fechamos o conceito ainda de que a música daria a alma desse especial. Nos encontramos com João Falcão e pedimos para que ele montasse uma trilha com a sonoridade brasileira e com o encantamento do rock, possibilitando, inclusive, ampliar um pouquinho a cultura musical de parte do nosso público. Nessa busca, encontramos o protagonista Maicom, síntese real da nossa Dó-Ré-Mi-Fábrica.


Como foi a escalação do elenco?



Denise Saraceni: O Maicom, como disse, é a síntese real do que estamos contando e valeu a pena trazê-lo para este time. Sempre pensamos também no Lázaro Ramos para este especial. Por isso ele interpreta irmãos gêmeos. Gostamos de desafiar nosso querido ator! Nathália Dill surgiu da necessidade de um encontro mediador cheio de ternura e sofisticação. Ela nos dá isso: é divertida, inteligente e afinadíssima. Uma graça! Já o Chico Diaz consegue fazer um vilão dentro do universo que desenhamos, sem passar do ponto, e o Alexandre Nero foi um convite divertido. Aliás, todos adoraram participar do especial exatamente por poderem experimentar outras linguagens.

O texto de Dó-Ré-Mi-Fábrica traz alusões ao filme “A Fantástica Fábrica de Chocolate” e a grandes nomes da música. Quais foram as principais referências usadas pelas áreas de criação?


Denise Saraceni: Utilizamos mesmo como referência a primeira versão de “A Fantástica Fábrica de Chocolate”, quando tudo ainda era menos tecnológico. O Péricles (Barros) também sempre nos entrega textos com uma grande maturidade do universo infantil. Ele é um estudioso e apaixonado por roteiros para crianças. Mas é claro que o “Deus” de toda esta escola é o Chaplin.

O que o público pode esperar de Dó-Ré-Mi-Fábrica?



Denise Saraceni: Muita emoção! Os roqueiros, os eruditos, os populares. O final, com o grande concerto com os meninos do Afro Reggae, é impressionantemente brasileiro e forte. Aliás, como no especial do ano passado, ‘O Natal do Menino Imperador’, acho que é a força brasileira que explode em nossos programas.

Como é a parceria com a Flávia Lacerda e o Péricles Barros?



Denise Saraceni: É de total cumplicidade. Eles sempre me trazem projetos deliciosos, e eu confio plenamente na capacidade de compreensão do processo coletivo de criação. Os dois entendem o meu jeito e é maravilhoso perceber que só crescemos com isso. Os telespectadores, claro, também lucram. Tomara que conquistemos cada vez mais espaço para criar pequenas séries para o público infanto-juvenil!

Entrevista com o autor Péricles Barros

Formado em Publicidade, Péricles Barros atua como roteirista da Rede Globo desde 1995. Ao longo desses anos, escreveu dezenas de episódios de seriados de humor de grande sucesso no Brasil, como ‘A Grande Família’ e ‘Sai de Baixo’. Apaixonado pelo universo infantil, também foi roteirista de diversos programas desta categoria, entre eles ‘Caça Talentos’, ‘Xuxa no Mundo da Imaginação’, ‘Turma do Didi’ e a minissérie infantil ‘A Terra dos Meninos Pelados’. No ano passado, escreveu o especial ‘O Natal do Menino Imperador’, sobre a infância do último monarca brasileiro, finalista do Emmy International Award 2009.

Como vê o universo infantil? Que cuidados são necessários para dialogar com as crianças?



Péricles Barros: Minha preocupação principal ao criar personagens e histórias para o público infantil é respeitar a inteligência e o ritmo da criança. Acho fundamental a história ser relevante, o que é um desafio num momento em que a molecada tem um zilhão de opções e informações. Por isso, é necessário estar sensível e bem informado quanto ao universo de interesses das crianças. Acho prioritário encantá-las e, ao mesmo tempo, diverti-las. O humor é um elemento importante em tudo que escrevo. E também a emoção. Afinal, a sensibilidade das crianças não pode ser esquecida. A infância é uma fase da vida cheia de descobertas, ritos e conflitos internos. Isso deve estar presente em uma história para cativar meninas e meninos. Outro aspecto que me interessa é trazer elementos de "brasilidade" - ou da nossa realidade - à história e aos personagens. Mas, apesar de Dó-Ré-Mi-Fábrica ser uma história de Natal criada para encantar a garotada, a trama, os personagens e a atmosfera vão atrair toda a família.

Que mensagens e valores quer passar com o programa?



Péricles Barros: Além de ser um tributo à música, o programa trata do direito da criança ao sonho, representado pela música. Acredito que todos - uns mais; outros, menos - tenham potencial musical. O panorama está mudando, graças a tantas escolas de música informais espalhadas em comunidades, mas, no Brasil, o acesso à educação musical ainda é um tanto restrito. Se toda criança - rica ou pobre - pudesse, desde cedo, desenvolver seu potencial criativo, nosso país teria ainda mais talentos musicais. E alguns desses meninos, como o Tom, do especial de fim de ano, ganhariam até um ofício, uma profissão, uma forma de ter alguma renda, trabalhando com música. Sonhar é necessário. Tom e Ludovico, personagens do especial, sabem bem disso.

O texto do especial é repleto de referências e imagino que remeta um pouco a seus gostos e vivências pessoais. Vc pode citar alguns ícones, filmes, livros ou pessoas que serviram de inspiração para o texto de Dó-Ré-Mi-Fábrica? Como nasceu a ideia do especial?



Péricles Barros: Em "Tigresa", Caetano Veloso já cantava "Como é bom poder tocar um instrumento". Por experiência própria, concordo inteiramente com ele. Toco guitarra desde os 15 anos de idade. Já tive banda de rock nos anos 80 e tenho algumas composições gravadas. Sou parceiro de Cazuza, por exemplo, na música "Baby Suporte", gravada pelo Barão Vermelho, e meus irmãos trabalham com grandes artistas da música brasileira. Um, com o Frejat; outro, com Marisa Monte e Maria Bethânia. De quebra, convivi desde cedo com nomes da música erudita brasileira, como o grande maestro Isaac Karabtchevisky, pelo fato de meu pai ser o criador e diretor do Projeto Aquarius (tradicional série de concertos de música clássica). Ou seja, a música pulsa em minhas veias tanto quanto a teledramaturgia. Unir as duas coisas - música e roteiro para TV - era um desejo antigo, que sabia que realizaria em algum momento. Faltava, no entanto, a história, que nasceu a partir de um antigo pensamento meu: "E se eu tivesse uma guitarra que tocasse sozinha e me transformasse num músico virtuoso?". Esse foi o ponto de partida. Assim como outros filmes lúdicos, a primeira versão de "A Fantástica Fábrica de Chocolate" (dos anos 70, com Gene Wilder) marcou a infância de toda a minha geração e, é claro, que me inspirou também, mas apenas em relação ao ambiente atraente e encantador da fábrica de instrumentos de Ludovico e Arquimedes. A história narrada no especial tem a música/musicalidade como base. Ludovico e seus instrumentos criativos e originais têm mais de Carlinhos Brown do que de Willy Wonka. Outro filme do qual sou fã e que também mistura crianças e música é "Escola do Rock". O personagem de Ludovico apresenta uma irreverência que, para mim, remete ao personagem de Jack Black neste filme. Quanto ao personagem Zanata, um explorador de crianças talentosas, a inspiração foi a Raposa de "Pinóquio", filme a que costumo assistir com meu filho de três anos.

Tom, Ludovico e Viola estão, de certa forma, unidos pela música e trazem em seus nomes este universo. Como batizou os personagens? Você tem algum processo para defini-los?



Péricles Barros: Eu queria que tudo neste especial remetesse à música, sua cultura, seus rituais e seus mitos. Por isso o texto é cheio de referências e citações. Neste sentido, nada mais natural que os nomes dos personagens também remetessem a compositores e, no caso de Viola, a um instrumento. Mas a história não está presa a isto. Tanto que há personagens (como Arquimedes e Zanata) que batizei apenas pela sonoridade dos seus nomes. Uma curiosidade é que não por coincidência, o menino que encontra a Guitarra de Uma Corda Só chama-se Tom, que é o nome do meu filho também.



Como é sua rotina de trabalho? Opina sobre a escalação do elenco ou sobre a conceituação dos cenários e figurinos?



Péricles Barros: Minha rotina de trabalho varia de acordo com o programa que estou escrevendo e, principalmente, quanto aos prazos estabelecidos. De modo geral, sigo a ordem natural do desenvolvimento de um roteiro para TV: ideia, argumento, escaleta, diálogos, primeira versão do roteiro, e por aí vai. A partir disso, faço ajustes, cortes e acréscimos em função de questões de produção ou de sugestões do diretor. Em 15 anos na Rede Globo, entre os programas que escrevi, estão ‘A Grande Família’ (por três anos), ‘Sai de Baixo’ e ‘Turma do Didi’. Em 2009, escrevi ‘Vem Com Tudo’ (quadro de Regina Casé) e alguns episódios do seriado ‘Aline’. O roteiro de ‘Dó-Ré-Mi-Fábrica’, cuja ideia e título tenho há tempos, foi escrito a partir de janeiro desse ano, em paralelo ao meu trabalho em ‘Aline’. Quanto ao elenco, sugeri alguns nomes. Outros foram propostos por Denise (Saraceni) e Flávia (Lacerda). A escolha do Lázaro para protagonizar foi motivo de vibração para mim. Considero-o um dos maiores atores brasileiros da atualidade e ter um personagem meu interpretado por ele me dá prazer e calma. Imagine, então, ter logo dois personagens (como em Dó-Ré-Mi-Fábrica) vividos por ele! No caso do Maicom, o menino que interpreta Tom, que eu não conhecia, fiquei tranquilo ao vê-lo atuando no estúdio. Pedi à Denise que o personagem do Gramofone fosse interpretado por um artista musical e ela escalou o Lenine, de quem sou super fã.

Como é a parceria com a Denise Saraceni e a Flávia Lacerda?



Péricles Barros: Denise e Flávia são parceiras talentosas e experientes que respeitam o autor e o texto. Ao mesmo tempo, contribuem com ótimas ideias, sempre colocadas de modo gentil, claro e carinhoso. Neste especial, elas me trouxeram algumas sugestões importantes, que foram logo aceitas por mim, com grande prazer. E, como são criativas, Denise e Flávia sempre me surpreendem positivamente quanto ao modo como realizam minhas ideias. A equipe (de Produção de Arte, Figurino, Cenografia, Efeitos Visuais, Produção Musical, etc) escalada por Denise também deu show neste programa. O trabalho em TV é, por natureza, coletivo. Por isso, ter parceiras com a capacidade da Denise e da Flávia é uma sorte para um roteirista. Este nosso time já tem planos futuros que, no momento adequado, serão desenvolvidos.

Perfil dos personagens

Ludovico (Lázaro Ramos) - Um dos donos da Dó-Ré-Mi-Fábrica e descendente do fundador desta empresa tão especial, que há centenas de anos vem passando de geração para geração. É o inventor mais musical do planeta e também o mais descabelado. Apesar de criativo e original, Ludovico vive um drama: nenhum dos instrumentos que inventou agradou ao mercado, e a sua teimosia acabou contribuindo para a decadência da Dó-Ré-Mi-Fábrica. Apesar disso, segue alegre e esperançoso, certo de que a música é a magia da vida.

Arquimedes (Lázaro Ramos) - Irmão gêmeo e sócio de Ludovico na fábrica. É idêntico a ele apenas fisicamente, pois no resto é o oposto. Arquimedes é arrogante e egoísta e por isso os dois se detestam como gato e rato. Como sempre invejou o talento e a criatividade do irmão, prefere ver a empresa produzindo instrumentos convencionais às criações de Ludovico. O seu grande plano é tornar-se um bem sucedido empresário, dono de uma mega corporação de ringtones para celulares.

Tom (Maicom) - Aos 12 anos, enfrenta a dura realidade de catar coisas no lixão de uma metrópole para sobreviver, pois nasceu em uma família muito pobre e sem oportunidades. O talento inato do menino aflora em meio às dificuldades, revelando que Tom é um verdadeiro prodígio musical. Seu passatempo preferido é brincar de fazer música improvisando instrumentos com a sucata que encontra. Sensível, faz jus ao nome: é afinado e não sai do tom. Em suas mãos tudo é musicalidade e tira som até de uma tampa de panela. Tímido e inseguro, porém, ele nunca reage quando é mal tratado e sabe que, vivendo naquela pobreza, seguir uma carreira é apenas uma fantasia impossível. Isto até o dia em que uma estranha Guitarra de Uma Corda Só cai do céu, misteriosamente, bem a seus pés.

Viola (Nathália Dill) – A simpática e alegre mocinha trabalha como secretária dos dois irmãos na Dó-Ré-Mi-Fábrica, mas não disfarça sua predileção por Ludovico.

Zanata (Chico Diaz) - É um pseudo-empresário artístico desonesto e meio asqueroso. Um tipo corpulento, bem tosco e desajeitado. Zanata tem um carro caindo aos pedaços e com ele roda as cidades fazendo showzinhos duvidosos em bares e churrascarias que ficam na beira das estradas. Não é nada confiável e explora o talento alheio.

Elizeth (Ana Paula Bouzas) – A mãe de Tom é uma mulher pobre, marcada pela vida. Cria e sustenta sozinha seus três filhos, que a ajudam na coleta de alimentos e outras quinquilharias garimpadas no lixão. Preocupada com a refeição de cada dia, não vê com bons olhos o sonho de Tom, seu segundo filho, que quer se tornar artista e um dia viver da música.

Lamartine (Alexandre Nero) - Um típico engravatado formal e gentil. É gerente da agência bancária credora das mil e uma dívidas da fábrica de instrumentos de Ludovico e Arquimedes.


Crédito das fotos: TV Globo / Thiago Prado Neris

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